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Esmael Morais

Jornalista e blogueiro paranaense, Esmael Morais é responsável pelo Blog do Esmael, um dos sites políticos mais acessados do seu estado

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Lula mantém dianteira no Datafolha apesar da pressão da direita

Levantamento mostra liderança consistente de Lula na largada, enquanto narrativa sobre segundo turno tenta antecipar um desgaste ainda não confirmado

05.02.2026 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião, no Palácio do Planalto, sobre o anúncio das ações no âmbito do acordo judicial para a regularização fundiária da Gleba da Quinta do Lebrã da cidade de Teresópolis (RJ). Brasília - DF. Fotos: Ricardo Stuckert / PR (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) segue na frente no primeiro turno da nova pesquisa Datafolha, com 39% das intenções de voto no cenário estimulado, contra 35% de Flávio Bolsonaro (PL). Na espontânea, quando o eleitor responde sem ver a lista de nomes, Lula abre 26% a 16%. O instituto ouviu 2.004 eleitores em 137 municípios, entre terça-feira (7) e quinta-feira (9), com margem de erro de dois pontos e registro BR-03770/2026 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
É por aí que a análise precisa começar.

Sem primeiro turno, não existe segundo turno.

A velha mídia preferiu vender o susto do eventual empate adiante, mas o dado bruto da largada eleitoral continua sendo outro: Lula ainda é o nome mais forte da disputa quando se olha a fotografia inicial da corrida.

No cenário estimulado, os 39% de Lula equivalem a algo perto de 45% dos votos válidos desse quadro, enquanto Flávio Bolsonaro fica na casa de 40%. Não dá vitória em primeiro turno, mas dá liderança real, material, verificável — e não um detalhe estatístico.

Esse é o ponto que a manchete apressada tenta empurrar para debaixo do tapete.

Quando o noticiário abre com “Lula perde vantagem no segundo turno”, ele desloca o centro da leitura. Em vez de discutir quem lidera a eleição de fato na largada, passa a vender a ideia de enfraquecimento inevitável. Isso ajuda a criar ambiente político, midiático e financeiro para pressionar o presidente a recuar da reeleição.

A operação é transparente.

A direita precisa de um adversário menos duro do que Lula em outubro. O bolsonarismo sabe que, goste-se ou não dele, o presidente ainda concentra voto popular, memória política e capilaridade social. Por isso, interessa espalhar a tese de que sua candidatura virou problema antes mesmo de a campanha começar para valer.

Os números do próprio Datafolha não autorizam esse enterro antecipado.

Lula aparece com 39%, Flávio com 35%, Ronaldo Caiado (Partido Social Democrático, PSD) com 5% e Romeu Zema (Novo) com 4%. A soma dos nomes da direita passa Lula, é verdade, mas essa conta só funciona no papel. No primeiro turno, esse bloco sai dividido, e divisão de candidatura não vira voto automaticamente para um só candidato.

Na espontânea, o retrato é ainda mais eloquente.

Lula marca 26%. Flávio Bolsonaro tem 16%. Jair Bolsonaro, mesmo inelegível, aparece com 2%, e Caiado também com 2%. Há 42% que ainda não sabem responder. Isso mostra duas coisas ao mesmo tempo: Lula ainda ocupa o centro da lembrança do eleitor, e a disputa está aberta para muita briga narrativa daqui até 4 de outubro de 2026.

O segundo turno, claro, merece atenção.

Flávio Bolsonaro aparece com 46% contra 45% de Lula. Caiado perde por 45% a 42%. Zema também, 45% a 42%. Todos os cenários estão dentro da margem de erro. Em português claro: não há virada consolidada; há empate técnico.

A diferença entre fato e torcida mora aí.

  • Fato: Lula segue líder no primeiro turno;
  • Fato: os cenários de segundo turno apertaram;
  • Torcida: transformar aperto em sentença de morte eleitoral.

Também pesa o dado da rejeição. Lula tem 48%, e Flávio Bolsonaro, 46%. Os dois concentram amor e ódio em um país ainda rachado. Isso explica por que a eleição continua polarizada e por que o “centro” segue patinando. Caiado e Zema têm rejeição menor, mas também têm muito menos densidade eleitoral até aqui.

No fundo, o que está em curso é uma guerra de clima.

Parte da imprensa corporativa, em sintonia com interesses do mercado, tenta vender a fadiga de Lula antes da hora. O objetivo político é claro: assustar o Planalto, aumentar o barulho sobre alternativa “menos conflitiva” e empurrar o presidente para a defensiva.

Só que pesquisa não substitui campanha.

Ainda faltam meses de exposição, palanque, alianças, televisão, rua, economia, crises e confronto direto. A eleição geral está marcada para 4 de outubro. Se ninguém passar de 50% dos votos válidos no primeiro turno, o segundo será em 25 de outubro.

Portanto, a dianteira de Lula continua de pé no terreno que realmente decide quem chega vivo à fase final: o primeiro turno. O resto, por enquanto, é disputa para fabricar medo, testar nervos e arrancar recuo. Resta saber se Lula vai afrouxar o sutiã ou se vai chamar a extrema direita para o corpo a corpo nas urnas.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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