Lula e Flávio Bolsonaro empatam em rejeição, aponta Datafolha
Lula tem melhor desempenho entre menos escolarizados, mais pobres e nordestinos. Flávio apresenta maior força entre classe média e ricos
247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparecem com níveis semelhantes de rejeição entre os eleitores, segundo pesquisa Datafolha, que também traz uma análise detalhada do perfil do eleitorado por renda, religião e região. O levantamento indica estabilidade nos índices e reforça o cenário de polarização na disputa eleitoral, conforme dados divulgados pela Folha de São Paulo neste sábado (11).
De acordo com o instituto, 48% dos entrevistados afirmam que não votariam de forma alguma em Lula, enquanto 46% dizem rejeitar Flávio Bolsonaro. A proximidade dos números evidencia o alto grau de divisão do eleitorado. A pesquisa ouviu 2.004 pessoas em 137 cidades entre os dias 7 e 9 de abril e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-03770/2026.
O levantamento também aponta que ambos os nomes possuem elevado nível de conhecimento público: 99% dos entrevistados dizem conhecer Lula, e 93% afirmam conhecer o senador. Esse fator contribui para os altos índices de rejeição, já que a exposição amplia tanto o apoio quanto a rejeição entre os eleitores.
Em contraste, outros pré-candidatos apresentam menor rejeição, acompanhada de menor visibilidade. O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), é desconhecido por 56% dos eleitores e tem rejeição de 17%. Já o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), é desconhecido por 54% e registra rejeição de 16%.
A análise por perfil do eleitorado revela diferenças importantes na distribuição das intenções de voto. Lula tem desempenho acima da média entre os eleitores de menor escolaridade, os de renda mais baixa e os residentes no Nordeste. Entre os menos instruídos, ele alcança 50% das intenções, enquanto entre os mais pobres chega a 44%. No Nordeste, seu apoio sobe para 55%.
Já Flávio Bolsonaro apresenta maior força entre eleitores de renda mais alta e segmentos da classe média. Entre os mais ricos, ele registra 49% das intenções de voto, embora com margem de erro mais elevada. No grupo que recebe entre cinco e dez salários mínimos, atinge 41%.
A divisão também se manifesta no recorte religioso. Entre os evangélicos, Flávio Bolsonaro lidera com 49% das intenções, contra 25% de Lula. Entre os católicos, o cenário se inverte: o presidente marca 43%, enquanto o senador tem 30%.
Regionalmente, Ronaldo Caiado se destaca no Norte e Centro-Oeste, onde alcança 12% das intenções de voto, acima de sua média nacional. Já Romeu Zema apresenta melhor desempenho entre eleitores de renda mais alta, com 9% entre aqueles que recebem acima de dez salários mínimos.
Os dados indicam que, além do empate técnico em rejeição entre os principais nomes, a disputa eleitoral segue marcada por forte segmentação do eleitorado, com diferenças claras de apoio conforme renda, religião e localização geográfica.


