Flávio Bolsonaro busca marqueteiros para evitar mais desgaste com eleitorado moderado
Senador articula equipe de comunicação e estratégia para ampliar apoio e evitar erros de campanhas anteriores
247 - A pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL) entrou em uma nova fase ao concentrar esforços na montagem de uma equipe política e de comunicação com o objetivo de ampliar seu alcance eleitoral e evitar desgaste com o eleitorado mais moderado. A estratégia busca apresentar o senador a eleitores fora do núcleo bolsonarista, com um discurso mais moderado e conciliador.
Segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo, o movimento ocorre após a construção de palanques em ao menos 20 estados, etapa considerada essencial para dar sustentação à candidatura. Agora, o foco recai sobre a comunicação e a definição de uma narrativa capaz de reduzir resistências e ampliar a base de apoio.
Nos bastidores, aliados do senador defendem que ele explore um perfil mais conciliador em comparação ao do ex-presidente Jair Bolsonaro. A avaliação interna é de que o excesso de confrontos políticos em campanhas anteriores prejudicou a ampliação do eleitorado.
Nos últimos dias, Flávio Bolsonaro reforçou sua equipe com a contratação de marqueteiros e especialistas em estratégia. Entre eles está Marcos Carvalho, da AM4, que atuará no planejamento, gestão e produção de materiais com base em inteligência de dados. Carvalho tem experiência em campanhas presidenciais, tendo participado tanto da eleição de Jair Bolsonaro em 2018 quanto da reta final da campanha de Lula em 2022.
Outro movimento foi a exoneração do assessor Fernando Nascimento Pessoa do gabinete do senador para que ele se dedique integralmente à campanha. A equipe ainda busca um nome de peso para coordenar a comunicação, especialmente as peças publicitárias para televisão, onde o PL terá o maior tempo de exposição no horário eleitoral. Apesar disso, interlocutores afirmam que não há urgência para preencher o cargo.
As negociações mais avançadas envolveram o marqueteiro Paulo Vasconcelos, mas ele deve permanecer na equipe do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), pré-candidato à Presidência. Outra alternativa analisada foi Jorge Gerez, que trabalhou por anos com o governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD). Embora tenha participado de reuniões com a equipe de Flávio, a tendência é que ele não assuma a coordenação central da campanha.
Gerez defendeu internamente que o eleitor brasileiro busca mudança e que Flávio deve priorizar propostas em vez de confrontos políticos. A avaliação do estrategista é que o senador pode ter bom desempenho eleitoral caso evite erros como ataques excessivos e disputas diretas.
A equipe também passou por mudanças recentes com a saída do publicitário Sergio Lima, responsável pela campanha de Jair Bolsonaro em 2022. Ao deixar o grupo, ele declarou: “Respeito a decisão, desejo muito sucesso a todos. Isso não significa que eu vou sair por aí dizendo que voto no candidato adversário”.
Outros nomes seguem orbitando a campanha, como o publicitário Marcello Lopes, amigo pessoal de Flávio Bolsonaro, que atualmente atua de forma informal, e Pablo Nobel, cuja participação enfrenta dúvidas devido a compromissos com outras campanhas, como a do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
A coordenação geral ficará a cargo do senador Rogério Marinho (PL-RN), responsável pela elaboração do plano de governo e pela articulação política nos estados. O PL já conta com pré-candidatos a governador em 12 unidades da federação e negocia alianças em outras regiões, incluindo o Distrito Federal.
No Senado, o objetivo da estratégia é formar uma base robusta alinhada ao bolsonarismo, com potencial para influenciar decisões importantes a partir de 2027. A projeção interna indica que o grupo pode eleger até 35 senadores.


