247 – O julgamento dos três policiais militares acusados de envolvimento na execução do delator do Primeiro Comando da Capital (PCC), Antônio Vinícius Lopes Gritzbach, foi anulado nesta segunda-feira (22), após uma série de confrontos verbais entre acusação e defesa no Fórum de Guarulhos, na Região Metropolitana de São Paulo. As informações são do Metrópoles.
Com a decisão, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) deverá agendar uma nova data para a realização do júri, que havia começado na manhã desta segunda-feira e tinha previsão de se estender até sexta-feira (26).
Interrupção após embates em plenário
A sessão foi marcada por sucessivas discussões entre o promotor Rodrigo Merli e os advogados de defesa Renan Pacheco Canto e Mauro Ribas Júnior. O clima de tensão se intensificou ao longo do julgamento, culminando na interrupção dos trabalhos.
Segundo a reportagem, um dos momentos mais delicados ocorreu quando o representante do Ministério Público afirmou que um dos testemunhos apresentados seria falso. A declaração provocou reação imediata da defesa, que passou a contestar a atuação da acusação e questionou os temas debatidos durante a sessão.
O impasse se agravou e alguns advogados deixaram o plenário. Diante da impossibilidade de prosseguir com os trabalhos, o júri foi encerrado sem que os jurados chegassem a uma decisão.
Crime ocorreu no Aeroporto de Guarulhos
Gritzbach foi assassinado em 8 de novembro de 2024 na área de desembarque do Terminal 2 do Aeroporto Internacional de Guarulhos. Ele retornava de uma viagem a Alagoas e caminhava acompanhado da namorada e de seguranças quando foi atingido por disparos de fuzil. O crime ocorreu poucos dias após o corretor iniciar delações sobre supostas ligações entre policiais e integrantes do PCC.
De acordo com a acusação, o cabo Denis Antônio Martins e o soldado Ruan Silva Rodrigues teriam sido os autores dos disparos. Já o tenente Fernando Genauro da Silva é apontado como responsável por conduzir os executores ao aeroporto e auxiliar na fuga após o crime.
Ministério Público sustenta execução planejada
Os três réus respondem por homicídio qualificado. A acusação sustenta que a execução foi planejada e praticada por motivo torpe, com emprego de armamento de uso restrito, além de ter colocado outras pessoas em risco e dificultado qualquer possibilidade de defesa da vítima.
O Conselho de Sentença foi formado por quatro homens e três mulheres.
Antes da interrupção dos trabalhos, já haviam sido ouvidas três testemunhas: William Souza Santos e Samara Lima, que ficaram feridos durante o ataque, além de Simone Dionísio Novais, esposa de Celso Novais, vítima atingida pelos disparos efetuados no aeroporto.
Defesa questiona provas da investigação
Pouco antes do início do julgamento, o advogado Renan Canto criticou as provas reunidas pela investigação e afirmou que os elementos apresentados foram manipulados para incriminar os acusados.
Segundo a apuração policial, dados de GPS, imagens de câmeras de segurança, registros de telefonia celular e exames de DNA colocam os três policiais militares na cena do crime.
A defesa, porém, contesta a confiabilidade desse material. “O carro foi analisado no dia 8 de novembro. Nada foi encontrado. O carro passa por uma segunda análise, aí eles encontram uma amostra que não havia sido encontrada no dia anterior. Essa amostra, até hoje, a gente não sabe do que se trata. Se é sangue, se é suor, se é saliva. Essa amostra subiu pro sistema AIFES, que a gente chama, e ninguém foi identificado”, afirmou o advogado.
Após a anulação do júri, caberá ao Tribunal de Justiça de São Paulo definir os próximos passos do processo e estabelecer uma nova data para o julgamento dos três policiais militares acusados pela morte de Antônio Vinícius Gritzbach.
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