Mario Vargas Llosa ficou pinel

Se ele acha que Moro é o brasileiro dos brasileiros, eu digo que Fujimori é o peruano dos peruanos

Mario Vargas Llosa, Peruvian writer and recipient of the 2010 Nobel Prize in Literature, attends a forum in support of Venezuela's opposition in Caracas April 24, 2014. REUTERS/Jorge Silva (VENEZUELA - Tags: POLITICS SOCIETY)
Mario Vargas Llosa, Peruvian writer and recipient of the 2010 Nobel Prize in Literature, attends a forum in support of Venezuela's opposition in Caracas April 24, 2014. REUTERS/Jorge Silva (VENEZUELA - Tags: POLITICS SOCIETY) (Foto: Alex Solnik)


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Acabo de ler um artigo assinado por Mário Vargas Llosa no El País. Custo a acreditar que tenha sido lavra dele. Meter o bedelho nos assuntos internos de outro país não é pecado, mas é preciso fazê-lo com o mínimo de conhecimento do assunto.

   O criador do realismo fantástico entra por uma seara que lhe é estranha. Afirma que uma das pessoas mais próximas a Lula é João Vaccari Neto. Garante que Lula foi preso depois de um processo totalmente legal e sem mácula, por ter recebido um apartamento de “três andares”. Pena não ter visto as fotos que os militantes do MTST mostraram ao mundo.

   Mas o maior sintoma de que ele está delirando - e requer tratamento urgente - vem logo a seguir, quando discorre sobre brasileiros que admira. E aponta o mais admirável de todos. De todas as épocas. O brasileiro dos brasileiros. Getúlio? Lula? JK? Tiradentes?

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   Para não dizerem que estou inventando reproduzo na íntegra o trecho em questão:

   “Há muitos brasileiros admiráveis; grandes escritores como Machado de Assis, Guimarães Rosa e minha querida amiga Nélida Piñon; políticos como Fernando Henrique Cardoso, que, durante sua presidência, salvou a economia brasileira da hecatombe e fez um modelo de governo democrático, sem jamais ser acusado de uma ação digna de punição; e atletas e esportistas cujos nomes correram o mundo. Mas, se eu precisasse escolher um deles como modelo exemplar ao restante do planeta, não hesitaria um segundo em eleger Sérgio Moro, esse modesto advogado natural do Paraná que, após se formar em advocacia, entrou na magistratura na oposição em 1996. Como já confessou, o que aconteceu na Itália nos anos noventa, a famosa Operação Mãos Limpas, lhe deu as ideias e o entusiasmo necessário para combater a corrupção em seu país, utilizando instrumentos parecidos aos dos juízes italianos da época, ou seja, a prisão preventiva, a delação premiada em troca da redução da pena e a colaboração da imprensa. Tentaram corrompê-lo, obviamente, e sem dúvida é um milagre que ainda esteja vivo, em um país onde os assassinatos políticos infelizmente não são uma exceção”.

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   Não é normal um cara que viveu sempre no Peru se arrogar a escolher o brasileiro de todos os tempos. O brasileiro que o mundo deveria admirar, tal como ele.

   Mais anormal ainda é o escritor se apresentar como incansável defensor da democracia e escolher um juiz arbitrário, que moveu contra Lula um processo que não respeitou a constituição e que provocou espanto no mundo jurídico, tal a sua fragilidade.

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   Se ele acha que Moro é o brasileiro dos brasileiros, eu digo que Fujimori é o peruano dos peruanos.

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