Brasil e França sob a mesma tutela internacional

Brasil e França, o primeiro por golpe jurídico-midiático, o segundo por golpe eleitoral, colocaram no poder representantes do sistema financeiro internacional

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É curioso observar as mutações do poder. Ora liberalizantes, ora inacreditavelmente coercitivos. Também seus discursos tem o dom da fuga da verdade.

Nem precisamos ir longe; os celebrados sermões do Padre Antônio Vieira, com o inegável talento vernacular, sempre procura, e muitas vezes com sucesso, vender um peixe podre, uma inexistente culpa para o pobre crente e conseguir, deste modo, adormecer uma consciência ou ter apoio numa empreitada escravagista.

Brasil e França, o primeiro por golpe jurídico-midiático, o segundo por golpe eleitoral, colocaram no poder representantes do sistema financeiro internacional.

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O caso Benella, que é o escândalo francês envolvendo o presidente Emmanuel Macron, desvenda os subterrâneos de um governo da banca, do sistema financeiro internacional.

Alexandre Benella era o segurança que Emmanuel Macron despediu, depois da divulgação da filmagem onde espancava manifestantes de rua, em Paris, no 1.º de Maio.  

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Esta ocorrência surge, e poderia passar desapercebida – simples medida administrativa –, depois da vitória francesa na Copa do Mundo de futebol (que alguns analistas políticos brasileiros anteviram) com uma agressão aos políticos: o projeto de redução da composição do legislativo.

Até agora, nos 14 meses de Presidente, Macron só beneficiou o grande capital. Nenhuma surpresa para quem saiu da Casa Rothschild para a política francesa. Cumprindo o projeto da banca, nem mais oculto pela pauta da reunião do Grupo Bilderberg (o populismo na Europa), o Estado Nacional precisa ser encolhido, a representação pela manifestação eleitoral reduzida, o povo espancado quando se reunir publicamente.

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O jornal Le Monde, posando com a independência que granjeou por outros tempos, lista uma série de personagens do Governo – Ministro do Interior (Gérard Collomb), Chefe de Polícia de Paris (Michel Delpuech), do Gabinete da Presidência (Patrick Strzad e François-Xavier Lauch) e avança no partido do Macron (República em Marcha – LRM) com seu Delegado Geral Christophe Castaner – para envolvê-los na caso Benella. Ninguém das finanças!

Noam Chomsky, este inigualável pensador contemporâneo, escreveu (Manufacturing Consent: the political economy of the mass media, Vintage Press, 1994): “a mídia serve como um sistema para comunicar mensagens e símbolos ao povo em geral. Sua função é divertir, entreter, informar e inculcar nos indivíduos os valores, crenças, códigos que os integrarão a estruturas institucionais da sociedade” (tradução livre).

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O que é mais relevante nestes meses do Governo Macron? Um caso policial? Um debate sobre a sexualidade? Ou a transferência acelerada dos recursos públicos, do dinheiro do povo, para a acumulação do capital financeiro? E, agora, do apequenamento da política, como proposta do executivo?

Vemos a semelhança do Brasil com a França, separados apenas pelas diferentes competências e cultura intelectual de seus representantes. O que distingue o sistema globo (metonímia que adoto para incluir todas as redes de televisão e rádio comerciais, privadas e oligopolistas) da mídia francesa, o Supremo Tribunal Federal (STF) – superior órgão político brasileiro – da Assembleia Nacional francesa?

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Muito pouco, além do idioma. Divertem , entretém, fraudam, iludem o povo.

Aqui estão saindo do controle nacional, da própria existência física, riquezas construídas pela competência brasileira (empresas de engenharia, fabricantes diversos) descobertas também pela competência única da Petrobrás na exploração de petróleo (pré-sal), mas teimosamente a mídia só vê a corrupção individual.

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Na França, o caso policial é o véu para a corrupção financeira.

Aqui e lá se frauda a manifestação do povo, se esvazia o Estado Nacional, para que a nova ditadura se perpetue.

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Mas ditadura no Brasil, para a mídia, para o poder golpista, precisa ter farda. E assim, os bravos militares nacionalistas são esquecidos ou quando aparecem é apenas para incriminar a farda na exceção psicopata dos torturadores, dos Alexandre Benella nacionais.

Em outros artigos já manifestei que a maioria dos militares brasileiros deixou-se envolver pela minoria assassina. Desde o último governo militar deveria ter reconhecido os erros e buscado punir os malfeitores pelo julgamento de seus tribunais. Jamais existiriam oportunidades para Comissões da Verdade. Mas são águas passadas. Lições para o futuro, se souberem aprender.

Travamos hoje, os franceses também, uma luta feroz e desigual. O inimigo é um sistema que objetiva extinguir os Estados Nacionais e a imensa maioria da população terrestre.

A eleição que se aproxima, no Brasil, será uma farsa. Mas não pela ausência do Lula. Também, mas principalmente pela ausência de um sistema eleitoral confiável, pela fraude que já nem mais será novidade, formando um Congresso inimigo do povo, um parlamento do sistema financeiro internacional. E com a conivência das esquerdas, que também apoiaram Macron, e cujo umbigo tem dimensão universal.

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