Lula cobra fortalecimento do Mercosul, “independentemente de quem seja eleito”

Presidente defendeu instituições permanentes no Mercosul e afirmou que o bloco seguirá como prioridade do Brasil após as eleições

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247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu nesta terça-feira (30) o fortalecimento institucional do Mercosul para que o bloco não dependa da orientação política ou da vontade dos presidentes eleitos em cada país. A declaração foi feita durante discurso na 68ª Cúpula de Presidentes do Mercosul, em Assunção, no Paraguai.

No discurso aos líderes regionais reunidos no Paraguai, Lula afirmou que o Mercosul deve continuar sendo prioridade para o Brasil “independentemente de quem seja eleito” e cobrou a consolidação de mecanismos permanentes de apoio ao bloco. Segundo o presidente, a integração regional precisa ser tratada como política de Estado, e não como projeto subordinado a mudanças eleitorais.

“O Mercosul não pode funcionar de acordo com a eleição desse ou daquele presidente. Se não, a gente nunca vai ter um bloco realmente forte e funcionando”, afirmou Lula.

O presidente disse que, quando o funcionamento do bloco depende da vontade de cada chefe de Estado, o Mercosul perde capacidade de se consolidar como espaço econômico de influência global. Para Lula, a instabilidade institucional impede que a região avance de forma contínua em direção a objetivos comuns.

“A depender da vontade do presidente, o Mercosul funciona ou não funciona. A gente nunca vai conseguir se transformar num bloco econômico de muita vitalidade para ter influência no mundo”, declarou.

Lula também afirmou que a experiência acumulada em diferentes mandatos reforça sua avaliação sobre a importância de instituições sólidas. “De todos vocês, sou a pessoa que mais exerceu a presidência de um país”, disse. Em seguida, comparou os avanços e retrocessos institucionais a uma escada em que os países sobem e descem degraus sem alcançar plenamente seus objetivos.

“Eu sei o que é você subir 12 degraus de uma escada e depois de um ano você descer esses 12 degraus. Depois você sobe mais 12 e volta mais 12. É como se fosse uma coisa que não tivesse fim. Você nunca consegue chegar àquilo que é o sonho das pessoas”, afirmou.

Ao tratar do cenário político brasileiro, Lula disse que pretende disputar novamente a Presidência da República. O presidente afirmou que concorrerá para defender a democracia e manter políticas de crescimento econômico e inclusão social.

“Nesse ano teremos eleições no Brasil. Será a quarta que eu participo. Se ganhar, serei o único presidente da história do Brasil a governar num regime democrático quatro vezes”, disse Lula.

O presidente citou seus governos anteriores e afirmou que recebeu o país em situação difícil em 2003, retomou o crescimento econômico e promoveu políticas sociais que, segundo ele, retiraram milhões de brasileiros da fome. Lula também mencionou que, ao retornar ao Planalto em 2023, encontrou novamente um quadro de insegurança alimentar e disse que o país voltou a superar esse problema.

“Tínhamos em 2014 acabado com a fome no Brasil. 54 milhões de pessoas que passavam fome em 2003, nós terminamos com a fome em 2014. Quando voltei, em 2023, tínhamos outra vez 33 milhões de pessoas passando fome. Em dois anos e meio acabamos com a fome outra vez”, afirmou.

Lula também destacou indicadores econômicos de seu governo. Segundo ele, o Brasil vive atualmente “a menor inflação acumulada em quatro anos da sua história”, “a melhor massa salarial da sua história” e “o menor desemprego da sua história”. O presidente disse ainda que o país voltou a crescer acima de 3% após seu retorno à Presidência.

“Por essas razões e pela maior política de inclusão social já feita na história do Brasil, eu, aos 80 anos, com a vitalidade de um jovem de 20, vou concorrer pela quarta vez à Presidência da República do meu país”, declarou.

Ao justificar a decisão, Lula afirmou que pretende disputar a eleição para garantir a continuidade democrática. “Vou concorrer para garantir que o Brasil mantenha-se como país democrático, porque não é possível imaginar irresponsáveis governando um país de 215 milhões de habitantes”, disse.

O presidente também afirmou ter encontrado, em 2023, obras paralisadas, estruturas ministeriais desmontadas e órgãos públicos enfraquecidos. Segundo ele, havia 87 mil residências iniciadas no governo Dilma Rousseff e paralisadas, além de 6 mil obras de escolas e creches sem continuidade.

“Encontrei um país sem Ministério do Trabalho, sem Ministério das Mulheres, dos Direitos Humanos, da Igualdade, dos Povos Indígenas”, afirmou Lula. Ele também disse que o Ibama tinha 800 funcionários a menos em relação ao período em que deixou a Presidência em 2010.

Depois de fazer um balanço da situação brasileira, Lula voltou a defender que a integração regional seja preservada de oscilações eleitorais. “Acreditem: independentemente de quem seja eleito no Brasil, o Mercosul continuará sendo prioridade para o Brasil”, afirmou.

O presidente pediu que os países do bloco aproveitem os próximos seis meses para consolidar instituições de apoio ao Mercosul. Segundo ele, o objetivo deve ser garantir que o bloco funcione “perfeitamente bem” independentemente de quem ocupe a Presidência em qualquer país integrante.

“O Mercosul é muito importante para nós. Quando temos dúvidas, a gente olha para o que éramos antes do Mercosul e olha agora”, disse Lula.

Ao encerrar esse trecho do discurso, o presidente afirmou que o diálogo entre os países é parte essencial da construção regional. Para Lula, a divergência entre governos deve servir como oportunidade para buscar soluções, e não como obstáculo à integração.

“Agora é ruim, mas pelo menos agora a gente pode fazer uma reunião dessa e ouvir cada um de vocês. E ao invés de ficar ofendido, trabalhar para saber se quem está reclamando tem razão ou não e tentar encontrar uma solução. É assim que a gente cria um bloco econômico, político e cultural”, afirmou. 

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