247 – A bancada feminista do PSOL na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) acionou o Ministério Público Federal (MPF) para pedir a inclusão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e do prefeito Ricardo Nunes (MDB) nas apurações relacionadas ao banco Digimais, informou a coluna Painel, da Folha de S.Paulo. A notícia-crime mira o credenciamento da instituição financeira para oferecer empréstimos consignados a servidores estaduais e municipais. A informação foi publicada nesta terça-feira (30) pela coluna Painel.
O pedido apresentado ao MPF busca ampliar o alcance da Operação Miragem, que investiga suspeitas envolvendo o banco Digimais, ligado ao bispo Edir Macedo. A bancada do PSOL quer que os investigadores apurem se as gestões de Tarcísio e Nunes tiveram atuação ou conhecimento de eventuais irregularidades no processo de habilitação da instituição para operar crédito consignado.
O banco virou alvo de suspeitas por suposta manipulação de demonstrativos contábeis e outros documentos usados para ocultar a real situação financeira da instituição. Na avaliação das parlamentares, a investigação precisa esclarecer quais critérios técnicos embasaram a parceria entre o Digimais e as administrações estadual e municipal.
A representação sustenta que o credenciamento de uma instituição financeira sob suspeita exige análise sobre os procedimentos adotados pelo governo de São Paulo e pela Prefeitura da capital. O objetivo, segundo o pedido, é verificar se houve falhas de controle, omissão administrativa ou conhecimento prévio de riscos ligados ao banco.
O caso envolve a oferta de empréstimos consignados, modalidade em que as parcelas saem diretamente da folha de pagamento dos servidores. Por esse motivo, a bancada argumenta que a atuação do poder público demanda rigor na escolha e na fiscalização das instituições credenciadas.
Ao Painel, a gestão Tarcísio afirmou que a participação de bancos e financeiras na oferta de consignados ocorre por meio de credenciamento público, conforme regulamentação de 2014. O governo estadual disse ainda que mais de uma centena de instituições estão habilitadas para operar esse tipo de serviço e que o Digimais representa 1,57% do total das operações no estado.
A gestão Nunes, também em resposta à coluna, informou que o Digimais integra a lista de 57 instituições financeiras consignatórias da Prefeitura de São Paulo. Segundo a administração municipal, o banco responde por menos de 3% dos empréstimos descontados em folha de pagamento dos servidores.
A Operação Miragem apura suspeitas ligadas à situação financeira do Digimais e à possível inconsistência em documentos contábeis da instituição. Com a notícia-crime, o PSOL tenta levar a investigação também para a esfera das decisões administrativas que permitiram ao banco atuar no crédito consignado de servidores em São Paulo.
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