247 – Jair Bolsonaro teria afirmado, em diferentes ocasiões, a aliados, que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro seria “incontrolável”. A informação foi revelada antes da divulgação do vídeo em que Michelle acusa o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de tê-la humilhado durante uma conversa por telefone.
Segundo a coluna de Vera Rosa, publicada no jornal O Estado de São Paulo, Bolsonaro também teria dito a dirigentes do PL que Michelle não deveria ser candidata à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A publicação afirma que o ex-mandatário avaliava que a ex-primeira-dama não compreendia os bastidores da política e tinha dificuldade em aceitar derrotas.
Divergências nas eleições de 2022
Durante as eleições de 2022, Bolsonaro apoiava a candidatura de sua então ministra Flávia Arruda, atualmente Flávia Péres, ao Senado pelo Distrito Federal. Michelle, no entanto, teria defendido a candidatura de Damares Alves (Republicanos), também ex-ministra, e participado ativamente de sua campanha.
Para evitar um conflito público com a esposa, Bolsonaro acabou não se envolvendo na campanha de Flávia Arruda. Damares foi eleita e, de acordo com a reportagem, mantém uma relação próxima com Michelle.
A “Confraria Damaroca”
A coluna também descreve a convivência entre Michelle e Damares durante o período em que Bolsonaro ocupava a Presidência da República. Elas participavam de encontros no Palácio da Alvorada ao lado do jurista Ives Gandra Martins, de sua filha Ângela e de um casal de amigos.
As reuniões, realizadas sem periodicidade definida, ficaram conhecidas como “Confraria Damaroca”, em referência ao apelido utilizado por Michelle para se dirigir à ex-ministra.
Tentativas de conter a crise
Damares é uma das principais interlocutoras na tentativa de reduzir a tensão entre Michelle e Flávio Bolsonaro. Ela teria sido informada antecipadamente da intenção da ex-primeira-dama de deixar a presidência do PL Mulher e conseguiu convencê-la a permanecer filiada ao partido, embora Michelle ainda considere não disputar uma vaga no Senado.
Segundo a publicação, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, também atua para evitar um agravamento da crise interna. Ele pretende viabilizar uma candidatura de Michelle ao Senado, mas busca impedir que o conflito familiar produza consequências políticas para o grupo.
Valdemar reuniu-se com Michelle, a portas fechadas, nesta terça-feira (30), na sede nacional do partido. Conforme a apuração, não houve acordo. A ex-primeira-dama comunicou que não participaria do encontro promovido por Flávio Bolsonaro com eleitoras, previsto para quarta-feira (1º), e manteve sua posição no embate.
Vídeos ampliam o conflito
Michelle compartilhou um vídeo do ex-governador Anthony Garotinho sobre uma festa promovida pelo empresário Daniel Vorcaro. No conteúdo, Garotinho faz referências a participantes do evento, mas afirma não identificar nomes.
Após a divulgação de informações sobre negociações envolvendo recursos para o financiamento do filme Dark Horse, que retrata a trajetória política de Jair Bolsonaro, opositores de Flávio Bolsonaro passaram a relacioná-lo ao chamado “esquema Master”. A apuração ressalta, contudo, que, até aquele momento, o nome do senador não havia sido citado em relação às festas mencionadas.
Michelle afirmou, em vídeo divulgado anteriormente, que havia dito “quase tudo” sobre o enteado, deixando em aberto a possibilidade de novas revelações.
Posteriormente, Anthony Garotinho publicou outro vídeo nas redes sociais afirmando ter sido procurado por pessoas próximas de Michelle. Conforme seu relato, os interlocutores buscavam informações sobre políticos que teriam participado da festa mencionada.
Garotinho respondeu: “Eu não sei quem você acha que estava lá”. Em seguida, acrescentou: “Da minha parte, nem você nem ninguém vai saber. Não estou aqui para enfrentar uma tirada de candidatura no tapetão”.
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