247 – O México derrotou o Equador por 2 a 0 nesta terça-feira (30), no Estádio Azteca, na Cidade do México, e encerrou um jejum de quatro décadas sem vencer uma partida de mata-mata em Copas do Mundo. Com gols de Julián Quiñones e Raúl Jiménez ainda no primeiro tempo, a seleção anfitriã garantiu classificação às oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 e levou mais de 80 mil torcedores ao delírio em um dos jogos mais marcantes da história recente do futebol mexicano.
A vitória representa o primeiro triunfo do México em uma fase eliminatória de Mundial desde a Copa de 1986, também disputada em casa, quando superou a Bulgária. Agora, a equipe comandada por Javier Aguirre enfrentará Inglaterra ou República Democrática do Congo nas oitavas de final, novamente no Estádio Azteca, que receberá sua última partida nesta edição do torneio.
A partida começou com uma hora de atraso devido a fortes tempestades na capital mexicana, mas o contratempo não diminuiu o entusiasmo da torcida. Muito antes do apito inicial, o Azteca já era um verdadeiro mar verde, impulsionando a equipe desde os primeiros minutos.
O México entrou em campo pressionando. Raúl Jiménez quase abriu o placar logo no início ao cabecear cruzamento de Luis Romo para fora. Pouco depois, o jovem Gilberto Mora, de apenas 17 anos, esteve perto de marcar um dos gols mais bonitos da Copa ao finalizar com força de um ângulo extremamente fechado, obrigando Hernán Galíndez apenas a acompanhar a bola passar muito perto da trave.
O Equador respondeu em um rápido contra-ataque iniciado por Gonzalo Plata. John Yeboah venceu a marcação e finalizou cruzado, acertando a parte externa da trave, levando um susto à torcida mexicana.
O domínio mexicano, porém, foi premiado aos 22 minutos. Roberto Alvarado encontrou Julián Quiñones com um passe preciso entre as linhas da defesa equatoriana. O atacante, nascido na Colômbia e naturalizado mexicano, venceu a marcação de Willian Pacho, ajeitou o corpo e acertou um potente chute no ângulo, marcando seu terceiro gol na competição.
A vantagem foi ampliada apenas nove minutos depois. Após um erro do Equador na saída de bola, Raúl Jiménez iniciou a jogada, tabelou com Quiñones e finalizou de primeira, novamente no ângulo de Galíndez. Foi o 47º gol do atacante pela seleção mexicana, deixando-o a apenas cinco gols do recorde histórico de Javier Hernández, o Chicharito.
Com dois gols de vantagem, o México passou a controlar completamente a partida, exibindo confiança, intensidade e organização. O Equador ainda criou uma boa oportunidade antes do intervalo, quando John Yeboah finalizou forte e obrigou o goleiro Raúl Rangel a realizar excelente defesa, mas a equipe mexicana chegou ao intervalo com amplo controle do confronto, talvez apresentando seus melhores 45 minutos em toda a Copa.
No início da segunda etapa, milhares de torcedores passaram a entoar o grito “¿Y si sí?” (“E se der certo?”), lema que se transformou no símbolo da campanha mexicana durante o Mundial e que traduzia a crescente esperança de finalmente romper a histórica barreira das eliminações precoces.
O Equador teve mais posse de bola após o intervalo, mas encontrou enormes dificuldades para criar chances claras diante da sólida defesa mexicana, que segue sem sofrer gols na competição. Do outro lado, Galíndez ainda evitou um placar mais amplo ao defender uma forte cabeçada do capitão César Montes.
Javier Aguirre promoveu alterações ao longo da etapa final e retirou os autores dos gols, além de Gilberto Mora. O jovem recebeu uma calorosa ovação do público após se tornar o jogador mais jovem a iniciar uma partida de Copa do Mundo desde Pelé.
Após o jogo, Aguirre elogiou a atuação de sua equipe e destacou a entrega dos atletas. “Um primeiro tempo muito bom e, no segundo tempo, conseguimos manter a calma atrás da bola”, afirmou. “Pelo ambiente e pela felicidade de todos, estou convencido de que há um vínculo real entre os torcedores e a equipe.”
Sobre a atuação de Gilberto Mora, o treinador também fez questão de destacar sua maturidade. “É uma pena que Mora tenha ficado sem gás, mas ele é apenas um garoto. É corajoso. Todos os jogadores correram muito.”
Nos minutos finais, o Equador ainda tentou pressionar, mas esbarrou na disciplina defensiva mexicana. A frustração equatoriana aumentou quando o zagueiro Piero Hincapié foi expulso após discutir com Santiago Giménez.
Ao apito final, jogadores e torcida comemoraram juntos enquanto o tradicional mariachi interpretava “El Rey”, cantado em coro por dezenas de milhares de torcedores nas arquibancadas do Azteca.
Já projetando o próximo desafio, Javier Aguirre classificou o confronto das oitavas como um marco para o futebol de seu país. “O jogo de domingo é o mais importante da história da seleção mexicana e da minha carreira”, declarou.
Depois de quatro décadas de frustrações nas fases eliminatórias das Copas do Mundo, o México enfim voltou a vencer um duelo de mata-mata e alimenta o sonho de realizar sua campanha mais histórica em um Mundial justamente diante de sua torcida.
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