Emocionado, Lula denuncia injustiças sociais no Brasil: “não estava na cultura cuidar dos pobres”

Em Alagoinhas, o presidente inaugurou hospital do Novo PAC

Lula inaugura hospital na Bahia
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247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) inaugurou, nesta quarta-feira (1º), em Alagoinhas, na Bahia, o Hospital Estadual do Litoral Norte, unidade vinculada ao Novo PAC Saúde e integrada ao programa Agora Tem Especialistas. Em discurso marcado pela defesa do SUS e de políticas públicas voltadas à população de baixa renda, Lula afirmou que o Brasil historicamente não tratou os mais pobres como prioridade. “Não estava na cultura desse país cuidar do povo pobre”, disse.

Durante a cerimônia, o presidente associou a entrega do hospital à necessidade de ampliar o acesso a serviços públicos de qualidade, especialmente nas áreas de saúde e educação. Para Lula, governar significa fazer escolhas sobre a destinação dos recursos públicos e garantir que a população mais vulnerável tenha as mesmas oportunidades oferecidas aos setores mais favorecidos da sociedade.

“Isso é difícil, porque não estava na cultura desse país cuidar do povo pobre. Não estava na cultura desse país cuidar dos trabalhadores”, declarou Lula, ao comparar obras de infraestrutura com o desafio de assegurar direitos sociais à maioria da população.

O hospital atenderá moradores de 34 municípios da região e foi apresentado como um reforço à regionalização da saúde na Bahia. A unidade é 100% pública, integra a Rede de Atenção às Urgências e a Rede de Atenção às Pessoas com Doenças Crônicas, e oferecerá atendimento tanto por demanda espontânea quanto por encaminhamento da Central de Regulação de Urgências do Samu.

Em sua fala, Lula disse ter orgulho de ter participado da Assembleia Constituinte que aprovou a criação do SUS e criticou a resistência enfrentada pelo sistema público de saúde desde sua origem. “O SUS foi muito rejeitado pela elite brasileira, o SUS foi muito rejeitado pela iniciativa privada brasileira”, afirmou.

O presidente também defendeu que o atendimento público deve garantir dignidade aos pacientes, independentemente de renda, origem social ou local de nascimento. “O que manda na gente é que nós somos seres humanos, homens e mulheres, pretos e brancos, nascidos nesse país e precisamos ser tratados com decência e com respeito, que todo mundo merece”, disse.

Ao abordar a dificuldade de acesso a exames e especialistas, Lula citou o exemplo de mulheres que, segundo ele, muitas vezes aguardavam meses por consultas oncológicas e mamografias. Para o presidente, a lógica do atendimento precisa ser invertida, com o Estado chegando antes à população. “Agora, não é ela que vai atrás da máquina, é a máquina que vai atrás dela”, afirmou.

Além da inauguração do hospital, a agenda incluiu a entrega de 256 veículos do programa Caminhos da Saúde, entre ambulâncias do Samu, micro-ônibus, vans e Unidades Odontológicas Móveis. Também foram entregues 29 ônibus escolares do Caminho da Escola, iniciativa voltada ao transporte de estudantes da rede pública, especialmente em áreas rurais e de difícil acesso.

Os ônibus escolares têm potencial para beneficiar cerca de 1.486 estudantes por viagem, ampliando a segurança, o conforto e a acessibilidade no deslocamento até as escolas. Já os veículos da saúde serão destinados a municípios baianos para reforçar a assistência regional e melhorar a capacidade de atendimento no interior do estado.

No trecho mais pessoal do discurso, Lula se definiu como alguém que carrega, ao mesmo tempo, a experiência da própria origem popular e a responsabilidade do cargo que ocupa. “Eu sou o Lula de duas faces. Eu sou o Lula metalúrgico, um retirante nordestino que sabe a vida desgraçada que o povo pobre leva nesse país. E sou o Lula presidente da República”, disse.

O presidente afirmou ainda que não esqueceu sua trajetória familiar e voltou a defender a igualdade de oportunidades como eixo de sua atuação política. “Eu não esqueci de onde eu vim. E não sei e não vou esquecer para onde eu vou voltar quando eu deixar a presidência da República”, declarou.

Lula também relacionou inclusão social ao acesso à educação superior, citando o Enem, o ProUni e o Fies como instrumentos de transformação da vida de famílias pobres. “A única coisa que eu quero é dar a todos, independentemente de ser alto ou baixo, rico ou pobre, preto ou branco, igualdade de oportunidades”, afirmou. Em seguida, completou: “Eu quero que a filha da empregada doméstica possa ter a mesma chance de disputar uma vaga no Enem que o filho da patroa dela.”

Ao mencionar políticas educacionais, o presidente disse que a expansão do ensino superior permitiu que jovens de baixa renda chegassem a profissões antes restritas a grupos mais privilegiados. Segundo Lula, uma das maiores recompensas de governar é ouvir relatos de mães que viram seus filhos se formarem em medicina por meio do ProUni ou do Fies.

“Não tem nada mais orgulhoso do que isso. Porque o que a mãe de vocês querem é que vocês estudem. A mãe de vocês não quer deixar fortuna, ela quer deixar educação”, afirmou.

O presidente também citou a criação da Farmácia Popular e do Mais Médicos ao defender políticas que garantam atendimento contínuo e reduzam desigualdades no acesso à saúde. Para Lula, a demora por especialistas e exames historicamente agravou o sofrimento da população mais pobre. “Somos nós que temos que ir atrás do povo. Não é o povo que tem que vir atrás da gente”, disse.

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Cortes 247

One response to “Emocionado, Lula denuncia injustiças sociais no Brasil: “não estava na cultura cuidar dos pobres””

  1. Por favor Lula, não cuide só dos pobres não, cuide também e principalmente dos ricos, afinal, pagando R$ 1,0 trilhão em juros da dívida pública para aqueles que assim como eu, podem financiar o governo, é bastante agradável, então, favor manter isso ai. Se havia alguma dúvida em qual candidato votar, agora com certeza sou Lula. Em qual país do mundo eu vou conseguir emprestar meus recursos para o Governo me devolver em 2032, ano dos títulos que estou comprando, e remunerado acima de 8% ao ano mais inflação; com esse rendimento, meu capital vai praticamente dobrar no período. É Lula lá.

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