Minas 247 – O Colegiado Executivo do Território Vale do Rio Doce foi instalado nesta semana, durante a etapa devolutiva dos Fóruns Regionais de Governo, realizada em Governador Valadares. Além de dar posse aos representantes do território, essa fase tem o objetivo de apresentar quais necessidades apontadas pela população foram priorizadas pelo governo Fernando Pimentel no Plano Plurianual de Ação Governamental (PPAG). Neste primeiro momento, foram discutidas as propostas das categorias Gestão e Custeio. Ainda no primeiro semestre de 2016 serão apresentadas as de Investimento e Pessoal.
No início do encontro o secretário executivo do Território Vale do Rio Doce, Fábio Brasileiro, destacou os trabalhos do Comitê de Crise, que está em atividade na região, desde o rompimento da barragem de rejeitos da mineradora Samarco, ocorrido no município de Mariana em 5 de novembro de 2015. A tragédia teve forte impacto sobre o cotidiano dos moradores do entorno da Bacia do Rio Doce. Fábio conta que “o acidente foi muito bruto e muito rápido, o que nos obrigou a agir também de forma muito rápida”.
O maior desastre ambiental da história do País despejou cerca de 62 milhões de metros cúbicos de lama no meio ambiente, o suficiente para encher 24 mil piscinas olímpicas (50 metros), de acordo com a mineradora Samarco, responsável pela barragem. A lama, que chegou ao litoral do Espírito Santo, atingiu cerca de 663 quilômetros de rios, conforme laudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A tragédia provocou a morte de 17 pessoas.
Além do Comitê de Crise, que atua em Valadares e região, atua na recuperação dos municípios atingidos pelo rompimento da barragem uma força-tarefa criada pelo governador Fernando Pimentel, que centralizou o levantamento de danos e vai propor medidas corretivas e restauradoras ao longo da Bacia do Rio Doce.
Entre os principais desdobramentos da força-tarefa está a proposta de criação de um Fundo de Revitalização da Bacia do Rio Doce, por meio da ação civil pública impetrada pela União e estados de Minas Gerais e Espírito Santo, cujo montante de R$ 20 bilhões deverá ser gerido por um fundo público de direito privado.
A prefeita de Governador Valadares, Elisa Costa, afirma que essa tragédia marcou um dos momentos mais difíceis da história da cidade. “Além da escassez hídrica, agora vivemos o drama da lama. Vai demorar um bom tempo ainda até superarmos essa fase”, lamenta.
Segundo o governo mineiro, a reunião para a instalação do colegiado teve a adesão de cerca de 120 pessoas entre os membros titulares e suplentes do Colegiado, além de servidores que vieram de todos os microterritórios para o dia de atividades. Sociedade civil, prefeitos, vereadores e representantes de órgãos públicos receberam da coordenação dos Fóruns certificados que oficializaram suas participações como representantes territoriais.
Diagnóstico e Metas
O Vale do Rio Doce foi o quarto território com maior participação nas duas primeiras etapas dos Fóruns Regionais, com 1.892 pessoas presentes. Foram levantados 486 problemas e necessidades, que compõem o Diagnóstico Territorial que abarca 55 municípios.
Fábio Brasileiro, que já esteve em mais da metade desses municípios desde que iniciou suas atividades como secretário executivo, relata que a principal questão do território é o desenvolvimento econômico e social sustentável.
“A partir da atual divisão territorial temos agora mais clareza para definir estratégias para o Vale do Rio Doce, já que antes os índices que tínhamos se confundiam com o de áreas mais industrializadas, como o Vale do Aço. Agora temos a oportunidade de mapear com mais precisão as potencialidades e vetores econômicos locais. Vamos trabalhar para nos tornarmos um polo de saúde, educação e tecnologia.”
*Com informações divulgadas pela Agência Minas
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