A amizade está desaparecendo: entenda os motivos

Hoje, mais de 20% dos americanos declaram não ter nenhum amigo íntimo

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247 – A amizade está passando por uma crise entre os homens, principalmente os mais jovens. Esse estranho fenômeno, provisoriamente chamado de “recessão da amizade”, está sendo observado pela imprensa nos Estados Unidos, aponta reportagem do jornal El Pais. Meios de comunicação importantes, como a CNN e a Vox, estão mapeando essa tendência preocupante. De acordo com dados da Gallup e do Survey Center on American Life, o percentual de homens que afirmam ter pelo menos seis amigos próximos foi reduzido pela metade entre 1990 e 2022. Esse declínio na amizade teria sido agravado pela mudança de hábitos e estilo de vida trazidos pela pandemia, de modo que mais de 20% dos americanos declaram não ter nenhum amigo íntimo.

Se levarmos esses dados ao pé da letra, como afirma o psicólogo e médico de família Sebastian Tong, “estaríamos testemunhando um declínio preocupante da amizade como instituição e conceito”. A cadeia de suprimentos de almas gêmeas dispostas a “caminhar ao nosso lado” do amanhecer ao anoitecer, como diria Albert Camus, está sendo interrompida. Tong introduz, no entanto, um aspecto: “Talvez o que esteja realmente mudando seja nossa noção cultural de amizade íntima”. Ou seja, “é muito provável que, em um mundo de relacionamentos múltiplos, superficiais e pouco significativos através de canais como as redes sociais, tenhamos elevado o padrão do que entendemos como amizade genuína, e muitos de nossos relacionamentos sociais não estejam à altura dessa nova exigência”. Em outras palavras, “o contraste entre a realidade cotidiana e nossas expectativas está fazendo com que idealizemos a amizade ao ponto de exigir mais do que razoavelmente ela pode nos oferecer”.

Por que isso estaria acontecendo mais com os homens do que com as mulheres? Segundo Tong, “talvez, simplesmente porque os homens são mais propensos a expressar sentimentos de insatisfação em pesquisas”. Ou também, nas palavras do psicólogo californiano Ron Riggio, porque os homens têm uma visão “mais instrumental” da amizade. Eles procuram “cúmplices ocasionais” com quem compartilhar pequenas rotinas, ao invés de “confidentes ou uma rede social de apoio”, algo que as mulheres tendem a fazer mais.

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