Deputados franceses aprovam resoluções contra acordo comercial Mercosul-UE

Textos foram apresentados pelos socialistas e pelo partido de esquerda radical, França Insubmissa

Protesto de agricultores franceses contra acordo comercial entre Mercosul e UE perto de Angouleme, na França
18/11/2024
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RFI – A resolução apresentada pela França Insubmissa (LFI, na sigla em francês) pede ao governo que expresse “sua oposição a qualquer método de adoção [do acordo] que contorne a ratificação pelos Parlamentos nacionais”. O texto proposto pelo Partido Socialista segue a mesma linha, mas vai além, já que pede a inclusão no direito europeu de “medidas-espelho” que obriguem os países que exportam para o bloco a respeitar as normas sociais e sanitárias em vigor na União Europeia. As duas propostas foram adotadas por unanimidade.

A UE e os países do Mercosul começaram a negociar em 1999 este acordo “global”, que deveria inicialmente reger as relações comerciais, mas também políticas e econômicas entre os europeus, por um lado, e Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai, por outro.

O polêmico tratado permite à União Europeia, que já é o maior parceiro comercial do Mercosul, exportar mais facilmente seus carros, máquinas e produtos farmacêuticos. Em contrapartida, o texto autoriza aos países sul-americanos incluídos no acordo (Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai) venderem para Europa produtos como carne, açúcar, mel, arroz, soja.

O projeto interessa os sul-americanos, mas divide os europeus. Uma parte do grupo, liderado pela Alemanha, defende o pacto, esperando se beneficiar de tarifas mais vantajosas para exportar seus produtos manufaturados. Outra parte do bloco, liderado pela França, se opõem vigorosamente ao texto, temendo principalmente o impacto em seu setor agrícola.

Em dezembro de 2023, após 25 anos de debates, Comissão Europeia declarou que o acordo havia sido concluído, apesar das divergências. A decisão foi anunciada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em Montevidéu, suscitando críticas de Paris. A França insiste para que os agricultores do bloco sul-americano respeitem as normas ambientais e de saúde em vigor na UE para evitar uma eventual concorrência desleal.

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