247 – Cuba se prepara para mais uma votação na Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) nesta quarta-feira (29), que deve reafirmar, pela 33ª vez, o repúdio internacional ao bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos. Desde 1992, esse exercício anual tem mostrado apoio quase unânime à ilha caribenha, com ampla maioria dos países exigindo o fim imediato da medida, destaca reportagem da Prensa Latina.O ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez, denunciou a “brutal campanha de pressão política e diplomática” conduzida por Washington nos dias que antecederam a votação.
Em declarações na sede da ONU em Nova Iorque, Rodríguez afirmou que “as principais organizações e grupos de países, praticamente todos os Estados-membros, com exceção de uma dúzia, expressaram suas opiniões neste primeiro dia de debate”. Segundo ele, “todos eles, sem exceção, pediram o levantamento imediato e incondicional do bloqueio genocida. Todos apontaram isso como uma violação do direito internacional e dos direitos humanos de todos os cubanos”.
O chanceler cubano ressaltou ainda que diversas nações demonstraram solidariedade à população da ilha diante da aproximação do furacão Melissa, que ameaça o Caribe oriental. “Muitos até mesmo ofereceram sua solidariedade ao nosso povo, assim como apoio a outros países caribenhos afetados”, disse.
Durante a sessão plenária desta terça-feira (28), o representante permanente dos Estados Unidos, Michael Waltz, chegou a ser chamado à ordem após um discurso considerado ofensivo por várias delegações. Segundo Rodríguez, “o discurso do representante permanente dos Estados Unidos completou, de maneira incomumente agressiva e caluniosa, a campanha de brutal pressão política e diplomática exercida pelo Secretário de Estado (Marco Rubio), outros funcionários daquele departamento e os embaixadores americanos”.
O ministro destacou que o governo norte-americano, liderado pelo presidente Donald Trump, tem tentado “impor sua vontade distorcida e injusta a governos soberanos em todas as regiões, particularmente na Europa”. Ele acrescentou que essa ofensiva também se manifesta “nas contas oficiais do Departamento de Estado, suas embaixadas e na própria missão americana nas Nações Unidas”.
Na votação do ano passado, apenas Estados Unidos e Israel apoiaram a manutenção do bloqueio, enquanto 187 países se posicionaram contra. De acordo com dados oficiais cubanos, as sanções causaram prejuízos de US$ 7,556 bilhões no último ano, representando um aumento de 49% em relação ao período anterior.
A expectativa em Havana é de que a nova votação reafirme a condenação global a uma política considerada injusta, desumana e contrária ao direito internacional.
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