André Singer: Não se sabe com quem está o poder

Em artigo publicado neste sábado (16) na Folha de S.Paulo, André Singer diz que na quitanda dos Bolsonaro, um assunto que seria "cozido em fogo lento por qualquer administração corriqueira de crises virou um pandemônio em 72 horas" justamente por conta do esvaziamento em torno do atual líder, o que torna "incerto o futuro"

André Singer: Não se sabe com quem está o poder
André Singer: Não se sabe com quem está o poder

247 - Em artigo publicado neste sábado (16) na Folha de S.Paulo, André Singer diz que na quitanda dos Bolsonaro, um assunto que seria "cozido em fogo lento por qualquer administração corriqueira de crises virou um pandemônio em 72 horas" justamente por conta do esvaziamento em torno do atual líder, o que torna "incerto o futuro".

"Em todo governo que começa há certo bate-cabeça. Até as peças encaixarem, leva tempo. O problema da presente gestão planaltina é que o líder da turma, em torno do qual precisa se construir a unidade 'funcionante', vem sendo esvaziado, tornando incerto o futuro. A zoeira deflagrada pelas reportagens da Folha sobre o uso de laranjas no terreno do Partido Social Liberal (PSL) seria cozida em fogo lento por qualquer administração corriqueira de crises. Mas na quitanda dos Bolsonaro virou um pandemônio em 72 horas".

Paralelamente, Singer vê um movimento bem mais consistente do vice-presidente Hamilton Mourão. "Desde que tomou posse, a despeito dos fortes impulsos autoritários demonstrados no passado, o general fez esforços para dirigir-se aos meios de comunicação num tom que contrasta, pelo equilíbrio, com o do clã vitorioso. Enquanto amalucados habitantes das cozinhas dos palácios iam prodigalizando declarações absurdas pelas redes sociais, o quatro estrelas pavimentava a imagem da sensatez".

Citando Elio Gaspari, André Singer vê o presidente com dificuldades para comandar até a própria cadeira, "permanecendo sob a tutela de setores armados ainda pouco conhecidos pela opinião pública". E pergunta: "Diante do visível enfraquecimento da autoridade presidencial, será que a vasta unidade da burguesia ao redor da reforma da Previdência será suficiente para estabilizar o quadro?"

Apostas em aberto, responde Singer.

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