Barroso abre caminho para a volta da raiz da corrupção: o financiamento empresarial

"Vejam que maravilha: era inconstitucional, mas se a turma do Cunha – o Cunha não entra na Câmara mas comanda tudo, telepaticamente... – puser uma leizinha lá, aí vai poder", comenta o jornalista Fernando Brito, do Tijolaço, sobre declaração do ministro do STF Luís Roberto Barroso, que disse em palestra que apesar do posicionamento contrário do Supremo, o Congresso pode decidir sobre doações privadas a campanhas

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Barroso abre caminho para a volta da raiz da corrupção: o financiamento empresarial (Foto: Alan Marques/ FOLHAPRESS/0619)
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Por Fernando Brito, do Tijolaço

Espantosamente escandalosa, na Folha, minutos atrás, a declaração do ministro do Supremo Tribunal Federal Luís Roberto Barroso:

Apesar de o STF (Supremo Tribunal Federal) recentemente ter julgado como inconstitucional a lei que permitia que empresas doassem dinheiro para campanhas eleitorais, o ministro Luis Roberto Barroso afirmou que ainda cabe ao Congresso decidir sobre a legalidade de tais doações. Embora diga preferir que doações empresariais não sejam permitidas, o ministro acredita que elas não ferem em princípio a Constituição. “Eu votei a favor da inconstitucionalidade porque a lei não previa nenhum tipo de limite às doações, mas a questão em si de se empresas devem poder doar ou não é política e deve ser decidida pelo Congresso”, afirmou, durante palestra em São Paulo.

Vejam que maravilha: era inconstitucional, mas se a turma do Cunha – o Cunha não entra na Câmara mas comanda tudo, telepaticamente… – puser uma leizinha lá, aí vai poder.

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Cadê aqueles argumentos todos de que “pessoa jurídica não vota”?

Aquela historinha de que nosso sistema político ficou viciado por conta do financiamento empresarial, milionário?

E a lenda de que se criava um desequilíbrio inadmissível entre os candidatos modestos (e honestos) e aqueles patrocinados por empresas, com fortunas?

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Que tudo isso ia contra o espírito da Constituição ao fazer (dizem) do Brasil uma democracia?

Dizia Barroso, no seu voto

“Eu gostaria de dizer que considero pessoalmente, e sem nenhuma margem de dúvida interna, que o sistema eleitoral brasileiro tem um viés antidemocrático e antirrepublicano como consequência da conjugação de dois fatores: o sistema eleitoral proporcional com lista aberta somado à possibilidade de financiamento privado por empresas.”

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Agora é só aprovar uma lei que desaparece o  “ viés antidemocrático e antirrepublicano”?

Aquela Câmara de altíssimo nível que vimos no dia 17 de abril, vai votar contra o dindim das empresas, “por Deus, pelo meu Mato Grosso, pela minha filha Zefa e meu filho Janjão e pelos netinhos que eles hão de me dar”?

Podemos fazer um interessante estudo jurídico, antes de decidir questões de tamanha dificuldade: é só ir ao zoológico e perguntar aos macacos se querem bananas.

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Um república delas.

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