Bolsonaro ataca STF e ameaça se rebelar contra decisões da corte

Em reunião com ministros nesta quarta-feira, Jair Bolsonaro voltou a criticar o STF, defendeu que o Poder Executivo se pronuncie e ameaçou desobedecer à corte suprema. Bolsonaro avalia que a operação deflagrada pelo supremo nesta quarta-feira teve como objetivo atingi-lo. Ele discutiu o assunto com ministros, inclusive com o da Defesa, Fernando Azevedo

Está em curso uma crise institucional entre Bolsonaro e o Poder Judiciário
Está em curso uma crise institucional entre Bolsonaro e o Poder Judiciário (Foto: Agência Brasil)
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247 - Foi com irritação que Bolsonaro reagiu à operação autorizada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) que atingiu apoiadores de seu governo de extrema-direita, nesta quarta-feira (27). Auxiliares do mandatário disseram que o inquilino do Palácio do Planalto tratou a situação como uma guerra.

O chefe do Executivo reuniu sua equipe de ministros nesta quarta-feira (27) para definir uma estratégia de reação à corte.

Bolsonaro criticou o STF considerando absurda e desnecessária a investigação contra aliados do seu governo. Ao considerar que o STF fez uma retaliação a ele e ministros, deu sinais de que pode se rebelar contra as decisões da corte. 

Reportagem dos jornalistas Julia Chaib, Gustavo e Uribe e Ricardo Della Coletta na Folha de S.Paulo, informa que a primeira medida que ficou definida é que a AGU (Advocacia-Geral da União) ingressará com pedido de habeas corpus para que o ministro da Educação, Abraham Weintraub, não preste depoimento ao STF. Ele foi intimado no mesmo inquérito sobre o disparo de fake news.

O Palácio do Planalto teme que o ministro seja preso, algo que pode ocorrer se ele simplesmente se recusar a depor na corte suprema. 

Bolsonaro e seus ministros discutiram outras medidas sobre como resistir às decisões do STF, sem uma definição específica. 

O governo cogita determinar que o general  Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional não acate nenhum pedido de diligências no âmbito de um pedido de impeachment contra o ministro que foi apresentado ao tribunal e é relatado por Celso de Mello.

Setores mais extremados da direita propuseram na reunião que Bolsonaro volte à carga com a nomeação do delegado Alexandre Ramagem para o comando da Polícia Federal, impedida por decisão do ministro do STF Alexandre de Moraes. 

Em uma segunda reunião, realizada à noite no Palácio da Alvorada com o núcleo jurídico do governo, foi lido um texto de 2019 atribuído ao advogado Modesto Carvalhosa que sugeriu a prisão preventiva dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes por causa do inquérito das fake news.

O governo cogita também divulgar uma nota mostrando sua reação. 

As ações planejadas pelo governo de reação e desobediência ao STF podem aprofundar ainda mais a crise institucional com o Judiciário.

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