Bolsonaro "desconcertou quem achava que a ferradura presidencial imporia a marcha da cavalgadura"

"A quebra da liturgia foi completa, ao ponto de desrespeitar mesmo os bons modos. Já as formalidades democráticas viraram informalidades autoritárias. O efeito dessa ruptura tem sido bifronte", afirma a professora de sociologia da USP, Angela Alonso

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 247 - A professora de sociologia da USP e pesquisadora sênior do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento, Angela Alonso, afirma que Jair Bolsonaro "desconcertou quem achava que a ferradura presidencial imporia a marcha da cavalgadura", ao analisar o destempero daquele que ocupa à Presidência da República.

Em artigo publicado na Folha, Angela lembra que 2019 foi o ano do porco no horóscopo chinês, símbolo de paciência e bondade. "Já no Brasil, sem dúvida, este foi o ano do cavalo. Houve coices para todos os lados e declarações equinas para todos os gostos - ou para todas as faltas dele", ironizou.

"Seu atributo nuclear é a força, como sublinhou o filho Carlos em tuíte depois da facada: 'O ‘Cavalão’ passa bem'. 'O velho é forte como um cavalo'", lembrou.

Ela ainda comparou a postura de Bolsonaro com outros presidentes brasileiros. "Bolsonaro retomou a tradição Figueiredo, desconcertando os que imaginavam que ferradura presidencial imporia a marcha da cavalgadura", frisou. 

E acrescenta: "Vem sendo o contrário. A quebra da liturgia foi completa, ao ponto de desrespeitar mesmo os bons modos. Já as formalidades democráticas viraram informalidades autoritárias. O efeito dessa ruptura tem sido bifronte".

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