Bolsonaro incentiva atos contra a democracia, diz procuradora responsável pela Lava Jato em SP

"No meu ver, ele incentiva esse tipo de coisa, o que é descabido para uma pessoa que deveria presidir o país para todos os brasileiros, e não para um grupo”, disse procuradora-regional da República Janice Ascari

Bolsonaro apoia ato que pede intervenção militar e AI-5 em Brasília
Bolsonaro apoia ato que pede intervenção militar e AI-5 em Brasília (Foto: Reprodução)
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247 - A procuradora-regional da República Janice Ascari, que assumiu o comando da Lava Jato em São Paulo, em outubro do ano passado, criticou a participação de Jair Bolsonaro em manifestações de extrema direita e em atos antidemocráticos. "No meu ver, ele incentiva esse tipo de coisa, o que é descabido para uma pessoa que deveria presidir o país para todos os brasileiros, e não para um grupo”, disse Janice em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo. Ainda segundo ela, a recente troca de comando no Ministério da Saúde deixou evidente que “as instituições não estão funcionando adequadamente”. 

Janice avaliou como “preocupante” os protestos contra a ordem democrática que vem sendo ganhando força nos últimos dias.  “É muito preocupante, porque as pessoas se sentem autorizadas a transgredir a lei. O direito de reunião, de associação, é garantido pela Constituição, mas é pacífico. A partir do momento em que você tem uma reunião pacífica e que outros venham interferir nessa manifestação pacífica é uma lesão a uma garantia constitucional”, disse em referência a agressão sofrida por enfermeiros durante uma manifestação em que pediam mais recursos para a saúde pública.

Para ela, Bolsonaro incentiva os atos antidemocráticos ao participar das manifestações.” No meu ver, ele incentiva esse tipo de coisa, o que é descabido para uma pessoa que deveria presidir o país para todos os brasileiros e não para um grupo. E nesse momento não é para se reunir”, afirmou. Ainda segundo Janice, a crise sanitária associada a atual crise política “é o pior cenário para todos os brasileiros”. 

“Se por um lado você vê essa instabilidade das instituições como um todo, por outro lado você vê realçadas as diferenças sociais. É o que de pior poderia acontecer. As instituições não estão funcionando adequadamente que não pode lavar as mãos porque não tem água encanada e saneamento básico. E esse é um problema recorrente. E as diferenças sociais gritam muito nessa hora”, destacou.

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