"Bolsonaro virou fonte de preocupação", diz ex-coordenador da Lava Jato

Procurador e ex-coordenador da Lava Jato Carlos Fernando dos Santos Lima afirmou que Jair Bolsonaro se tornou uma “fonte de preocupações” e que as interferências feitas por ele em órgãos de controle tornam a “situação dramática” , e devem ter sido motivadas pelo desejo dele proteger o filho, o senador Flávio Bolsonaro, de investigações. Ele também disse que os diálogos vazados que mostram os procuradores ironizando o luto do ex-presidente Lula são apenas “conversa de botequim”

(Foto: Reuters | PR)

247 - O procurador e ex-coordenador da Lava Jato Carlos Fernando dos Santos Lima, que se aposentou recentemente,  afirmou que Jair Bolsonaro se tornou uma “fonte de preocupações”. Segundo ele, as recentes interferências feitas por Bolsonaro em órgãos de controle, como transferir as atividades do extinto Conselho de Controle de Atividades Financeiras  para o Banco Central e mudar ocupantes de cargos-chave na Receita Federal, tornam a “situação dramática” e podem ter sido motivadas pelo desejo dele proteger o filho, o senador Flávio Bolsonaro, das investigações da Operação Furna da Onça, que apura um esquema de desvios de salários em gabinetes parlamentares. 

"Com este Coaf no Banco Central e sem liberdade de se comunicar com o Ministério Público; e com a Receita também ameaçada de diminuição da sua independência, nós temos realmente uma situação dramática. Eu tenho que o próprio presidente da República é fonte de preocupação hoje", afirmou Lima em entrevista à BBC Brasil. “Infelizmente, uma questão menor, um crime dos mais banais envolvendo políticos – a 'rachadinha' dos salários no gabinete – está inviabilizando o combate à corrupção no Brasil", completou. 

Na entrevista, o procurador tentou minimizar a importância das mensagens trocadas entre membros da operação e que revelaram o conluio da operação, como mostram as reportagens publicadas pelo site The Intercept. Segundo ele, os vazamentos das delações feitos pelos procuradores foram apenas antecipações de informações que não estariam protegidas pelo sigilo. 

Ainda conforme Lima, os diálogos que mostram os procuradores ironizando o luto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mantido como preso político em Curitiba, pela morte da esposa, Mariza Letícia, são apenas “conversa de botequim”. “Muitas dessas coisas decorrem de uma liberdade de grupos privados, de conversa de botequim, vamos dizer assim, do que realmente uma opinião que a pessoa falaria se estivesse numa situação pública, ou que ela pudesse refletir um pouco mais. Não dou tanta importância para essas fofoquinhas ou esses comentários maldosos”, disse. 

Leia a íntegra na reportagem da BBC. 

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