Brasil tem 100 generais nomeados marechais; Augusto Heleno e Villas Bôas estão entre eles

O Ministério da Defesa não se manifestou, mas tudo indica que a manobra para tal farra da promoção hierárquica foi possível pela promulgação da lei 13.594 de 2019, já no governo Bolsonaro

www.brasil247.com - O general da reserva Augusto Heleno, futuro ministro da Defesa no governo de Jair Bolsonaro, chega para reunião com o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, no Palácio do Planalto.
O general da reserva Augusto Heleno, futuro ministro da Defesa no governo de Jair Bolsonaro, chega para reunião com o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, no Palácio do Planalto. (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)


Revista Fórum - Dados públicos disponibilizados no Portal da Transparência informam que 100 generais de exército (último posto da escala hierárquica do Exército Brasileiro) receberam a patente de marechal, extinta desde 1967 após uma reforma no regramento da força terrestre que pôs fim ao título, normalmente atribuído a oficiais de alto escalão considerados heróis nacionais por comandarem tropas em conflitos bélicos. A partir da promulgação da Lei Federal 6.880, de 1980, chamada de Estatuto dos Militares, a possibilidade de um general passar ao posto de marechal voltou, mas em condições restritíssimas: somente em tempos de guerra.

Entre os generais elevados a tal posto, que não existe mais, exceto em casos de campanha, estão Augusto Heleno, ministro-chefe do Gabinete Institucional da Presidência da República (GSI) do governo Bolsonaro, os ex-comandantes do Exército Edson Leal Pujol e Eduardo Villas Bôas, além de Sérgio Etchegoyen, que ocupou também o GSI, mas na gestão de Michel Temer. Enzo Peri e Francisco Roberto de Albuquerque, ex-chefes máximos da maior organização militar brasileira durante os governos Lula e Dilma Rousseff, são outros que engrossam a lista de marechais.

Na Marinha e na Aeronáutica, os postos equivalentes ao de marechal são, respectivamente, o de almirante e de marechal do ar, igualmente extintos. Nessas outras duas organizações militares a nomeação para a posição inexistente também corre solta. Na listagem disponível no Portal da Transparência é possível perceber que vários almirantes de esquadra e tenentes-brigadeiros (postos compatíveis com o de general de exército no Exército) receberam a “promoção” que deixou de existir há 54 anos. Eles somam 115 nesses dois ramos militares.

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