Bretas impôs pena de 43 anos ao almirante Othon para apavorar investigados

Em depoimento de delação premiada ao Ministério Público, advogado conta que o juiz Marcelo Bretas declarou: "deixa comigo que eu vou aliviar"... "Não vou botar 43 anos no cara", referindo-se ao pânico que se espalhou entre os investigados quando ele condenou o almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva a 43 anos, em 2016

Marcelo Bretas e Almirante Othon
Marcelo Bretas e Almirante Othon (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil | Agência Senado)
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247 - O advogado Nythalmar Dias Ferreira Filho delatou à Procuradoria-Geral da República que o juiz Marcelo Bretas, responsável pelos processos da Lava-Jato no Rio de Janeiro, amedrontava investigados referindo-se à condenação que impôs ao almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, ex-presidente da Eletronuclear, a 43 anos de prisão logo no início da Lava-Jato, em 2016.  “E aí deixa comigo também que eu vou aliviar. Não vou botar 43 anos no cara. Cara tá assustado com os 43 anos”, dizia o juiz, conforme relato de Nythalmar. 

Bretas, ao citar os “43 anos”, se referia ao pânico que se espalhou entre os investigados quando ele anunciou sua decisão de condenar o almirante Othon. 

Em seu depoimento, publicado pela revista Veja, Nythalmar, representante de Fernando Cavendish, ex-dono da Delta, conta que Bretas afirmou que poderia “aliviar” a pena do empresário. “Você pode falar que conversei com ele, com o Leo, que fizemos uma videoconferência lá, e o procurador me garantiu que aqui mantém o interesse, aqui não vai embarreirar”, diz Bretas ao advogado. Leo é o procurador Leonardo Cardoso de Freitas, então coordenador da Lava-Jato no Rio de Janeiro. O procurador também participava da conversa, realizada através de videoconferência. Na sequência, Bretas garante que a sentença do empresário será abrandada.

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“Foi boa então você ter colocado 43 no Othon, né?”, elogia o advogado no diálogo gravado. Entre risadas, Bretas confirma: “É, ooo”. A conversa produziu os resultados esperados. Logo Cavendish começou a confessar seus crimes e mais tarde assinou um acordo de delação premiada com o Ministério Público. O empreiteiro, entre outras revelações, confessou o pagamento de milhões em propina a vários políticos e, em troca, ganhou o direito de responder ao processo em liberdade.

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