Centrais sindicais se unem em ato virtual no 1º de maio; assista ao vivo

Dirigentes e artistas dividem o palco em defesa da saúde, do emprego, da renda e da democracia

(Foto: Rede Brasil Atual)
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Brasil de Fato - A pandemia causada pelo novo coronavírus impôs novas formas de organização à classe trabalhadora. Neste 1º de maio, em que se comemora o Dia do Trabalhador, não seria diferente. A data, que comumente é marcada por festivais, manifestações e ocupação de ruas e avenidas, desta vez será caracterizada por lives solidárias feitas por sindicatos, pela primeira na história. O tema deste ano é “Saúde, Emprego e Renda. Em defesa da Democracia. Um novo mundo é possível”.

Acompanhe a transmissão ao vivo:


Ainda assim, como afirmou Sérgio Nobre, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), a partir das 11h30, as celebrações deverão ter “o mesmo vigor e expressar o mesmo compromisso histórico em relação aos interesses da classe trabalhadora”. Ao lado da CUT, outros movimentos fazem parte da organização do evento virtual, como Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Força Sindical, Intersindical, Nova Central, Pública e União Geral de Trabalhadores (UGT).

Além da nova forma de se comemorar o dia, a organização traz outra novidade. Desta vez, houve um esforço em reunir lideranças políticas antagônicas, como PT e PSDB, representados pelos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso. Também está prevista a participação do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ). A organizações do ato considera tal reunião importante para discutir a possibilidade de uma “frente ampla” contra o governo de Jair Bolsonaro. 

Entre os artistas que se apresentarão, esse ano tem uma novidade internacional: a presença do cantor e compositor inglês Roger Waters, ex-Pink Floyd. Os trabalhadores brasileiros também receberão recado do ator norte-americano Danny Glover. Entre os outros artistas, estão Chico César, Dead Fish, Delacruz, Dira Paes, Don Ernesto, Leci Brandão, Marcia Castro, Odair José, Preta Rara e Zélia Duncan.

Abrindo as apresentações da live deste 1º de maio, o artista Osmar Prado lembrou a frase conhecida de Getúlio Vargas “trabalhadores do Brasil, venho de longe para trazer-lhes palavras de confiança”, e mandou o recado: “lembrem-se vocês são os sustentáculos da nação, vocês que levam a riqueza. Se vocês pararem, tudo param”.

Carmen Foro, secretaria geral da CUT, afirmou que “a classe trabalhadora inventa e reinventa sua história. Então vamos defender nossas pautas históricas, a saúde, o Sistema Único de Saúde (SUS), os empregos e a renda. Nós temos que ser solidários ao trabalhadores mais vulneráveis nesse momentos, que estão desempregado e sem renda. Essa é a nossa missão solidária”.

Gilmar Mauro, da direção nacional do MST, lembrou toda a produção de riqueza brasileira passa necessariamente pelas mãos da classe trabalhadora. “Nós estamos vivendo um momento em que a crise do capital mostra as suas mais profundas vísceras, em que os burgueses conclamam a classe trabalhadora a ir trabalhar. Eles só demonstram que quem produz as riquezas, de uma empadinha a um avião mais moderno, são as classes trabalhadoras. Toda a produção de riqueza passa pelas mãos de um trabalhador e de uma trabalhadora. Se somos nós que produzimos todas as riquezas, nós podemos destruir aquilo que não nos serve, inclusive, eliminar os parasitas burgueses”.

Da Confederação Sindical Internacional, a secretária geral Sharan Leslie Burrow afirmou que o 1º de maio é o dia “mais importante” para trabalhadores e sindicatos de todo o mundo. “Hoje nós nos levantamos e nos comprometemos com a luta por um futuro justo. O futuro é um mundo fraturado que nós sabemos que precisa ser derrubado. Nós sabemos que o modelo econômico falido dos dias de hoje nos trouxe uma convergência de crises”, afirma a secretária. 

Ela também criticou o presidente Jair Bolsonaro e disse que ele está em “negação” diante da pandemia de covid-19, assim como o “seu amigo, Donald Trump”, ao negar os riscos da doença para a humanidade. “Nós sabemos que [ele] não está a altura do cargo que lhe coube.”

Valter Sanches, secretário geral da Industriall Global Union, assim como Sharan Leslie Burrow, afirma que o mundo está em um momento de grave crise econômica e sanitária. “Nós devemos honrar, nesse momento, as mais de 200 mil pessoas que perderam suas vidas para essa pandemia. São trabalhadores que construíram a riqueza do planeta e que agora foram vitimizadas, sendo que muitas dessas mortes poderiam ter sido evitadas se não fosse as políticas neoliberais que destruíram os sistemas públicos de saúde pelo mundo.”

Sanches também manifestou solidariedade aos trabalhadores brasileiros e criticou o governo de Bolsonaro: "Na contramão do mundo, o governo Bolsonaro em vez de combater o vírus fica combatendo os trabalhadores e seu povo"

O cientista Miguel Nicolelis, um dos coordenadores do Comitê Científico de Combate ao Coronavírus do Consórcio Nordeste fez uma saudação a todos os trabalhadores e trabalhadoras por meio das centrais sindicas. "Gostaria de agradecer a cooperação e todos os esforços heroicos de trabalhar para que todo o Brasil possa sair dessa crise. Para que a gente possa imaginar um novo futuro que vai emergir dessa crise, dessa pandemia, precisamos de um grau maior de empatia e solidariedade, para termos trabalhos dignos, vidas dignas e acesso à saúde pública de qualidade".

Martin Hahn, da Organização Internacional do Trabalho, lembrou os impactos econômicos da pandemia para os trabalhadores das classes financeiras mais desfavorecidas. Para ele, diante da crise, “temos que trabalhar junto para promover medidas urgentes, específicas e flexíveis para ajudar os trabalhadores e as empresas, em particular as empresas menores, aqueles que estão na economia informal, assim como todos em condições de vulnerabilidade socioeconômica”.

“Hoje, mais do que nunca, precisamos fazer uso do diálogo social, com um objetivo comum, de juntos promovermos oportunidades para que homens e mulheres tenham trabalhos produtivos, de qualidade, em condições de liberdade, equidade, segurança e dignidade humana”, afirmou Hahn.

Iago Montalvão, presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) também participou da live. Ele afirmou que "os trabalhadores são a base fundamental de qualquer sociedade. Nesse momento tão difícil é fundamental que coloquemos a vida em primeiro lugar mas também que possamos garantir condições para os trabalhadores.É necessário assegurar a renda básica emergencial, assim como o estágio e o primeiro emprego. Precisamos de uma frente ampla que una diversos setores  em defesa da democracia, que não aceitem os abusos de Jair Bolsonaro. Pela vida, pela saúde por emprego e renda, educação e ciência".

Manuela D'Ávila, do PCdoB, também participou da live. Ela afirmou que acredita que pandemia fará com que "cada vez mais homens e mulheres se conectem com as nossas pauta, as nossas reivindicações, nosso sonho de um país em que o Estado que seja garantidor da saúde publica para o conjunto da sociedade, em especial para a classe trabalhadora, com um país em que o sistema único de assistência social nos garanta que aqueles trabalhadores, homens e mulheres, no momento de mais vulnerabilidade trabalhadores serão atendidos com dignidade".

Para ela, isso significa que cada vez mais, a população sentirá na pele a importância de Estado presente. "Ora, se há muito nós temos denunciado o impacto da precarização do trabalho com a reforma trabalhista, por exemplo, esse momento deixa claro a necessidade da reconstrução do Estado de proteção social que garanta que todos homens e mulheres tenham dignidade", afirma Manuela D'Ávila.

O ex-presidenciável Fernando Haddad entrou live afirmando que reconhece que trata de “mais um ano difícil para a classe trabalhadora, sobretudo no Brasil. Já pelo quarto ano consecutivo, os governos neoliberais, de Temer e Bolsonaro, vêm atacando todas as conquistas de décadas da classe trabalhadora”. 

Para Haddad, a “nossa tarefa é resistir mais um vez, impedir os retrocessos e recompor o campo progressista, vigiar aqueles que foram eleitos com as bandeiras trabalhistas, combater os neoliberais que estão dilapidando os nossos direitos para que nós possamos recobrar a força necessária”.

Gleisi Hoffmann, dirigente do Partido dos Trabalhadores, seguiu na mesma linha: “Nunca ficou tão evidente para a sociedade a importância do trabalho humano e da força humana para a geração de riqueza. Não é capitalismo que produz riqueza não é o mercado que faz a economia girar ou crescer. o que faz funcionar o mercado e que gera riqueza é o trabalho humano. São milhões de homens e mulheres que fazem a transformação, e isso ficou claro agora, nesse período de isolamento social a que fomos submetidos. Sem o trabalho humano o trabalho está caindo”.

“E também nunca ficou tão evidente o desprezo e o respeito da elite e de seus representantes, especialmente Bolsonaro, com os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras. Eles começaram com a Reforma Trabalhista, depois veio a reforma da Previdência, a Medida Provisória 905 que flexibiliza direitos e continuam”, afirmou Hoffmann.

Confira a lista das apresentações de artistas (em ordem alfabética): 

Aíla, Aline Calixto, Bete Mendes, Bruno Ramos, Chico César, Danilo Ferreira, Danilo Mesquita, Danny Glover, Dead Fish, Delacruz, Dindry Buck, Dira Paes, Don Ernesto, Elisa Lucinda, Ellen Oleria, Fábio Assunção, Fernanda Takai, Filipe Catto, Francis Hime, Inez Viana, Kaê Guajajara, Leci Brandão, Lucas Afonso, Lucas Santtana, Marcia Castro, Mistura Popular, Odair José, Olívia Hime, Osmar Prado, Pally Siqueira, Paulo Betti, Preta Ferreira, Preta Rara, Roberta Estrela D´Alva, Roger Waters, Rosana Maris, Stéfano Ferraz, Taciana Barros, Wera MC e Zélia Duncan.

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