Como deputado, Bolsonaro dizia que bloqueio era 'corte' e 'roubo'

Em seus 28 anos de mandato como deputados federal, o hoje presidente Jair Bolsonaro subiu a tribuna da Câmara para dizer que contingenciamento era corte; agora ele e o ministro da Educação, Abraham Weintraub, acusam lideranças estudantis e professores de espalharem fake news por afirmarem que o bloqueio é redução dos investimentos na área

Como deputado, Bolsonaro dizia que bloqueio era 'corte' e 'roubo'
Como deputado, Bolsonaro dizia que bloqueio era 'corte' e 'roubo' (Foto: Carolina Antunes/PR)

247 - O presidente Jair Bolsonaro e seus aliados tentam convencer que a determinação de cortar 30% do orçamento da Educação é apenas um "contingenciamento", ou seja, não é uma redução, mas apenas um bloqueio temporário das verbas. Ele e o ministro da Educação, Abraham Weintraub, acusam lideranças estudantis e de professores de espalharem fake news por afirmarem que o bloqueio é redução dos investimentos na área.

No entanto, levantamento feito pelo jornal Folha de S. Paulo no arquivo digital de discursos da Câmara dos Deputados, revela que Bolsonaro, ao longo dos seus 28 anos de mandatos, também interpretava bloqueio como corte.

De acordo com reportagem, Bolsonaro subiu à tribuna várias vezes para criticar 'contingenciamento' classificando como "corte" e até "roubo". Na maioria das vezes, as críticas eram por conta de medidas relacionada às verbas para as Forças Armadas.

Em 2003, no primeiro ano do governo Lula, Bolsonaro discursava: "Do nosso Fundo de Saúde [dos militares], descontado em nosso contracheque, metade é contingenciado, o certo seria dizer roubado, e vai para o tal superávit primário, para pagamento dos juros da dívida".

Nesta quinta-feira (16), durante entrevista em Dallas, no EUA, onde está em visita, Bolsonaro se irritou com uma pergunta feita por uma jornalista da Folha sobre os cortes na educação e atacou a jornalista dizendo que a Folha não deveria contratar "qualquer uma para ser jornalista, ficar semeando a discórdia e perguntando besteira e publicando coisas nojentas por aí".

No entanto, ele mesmo usou o termo em uma das respostas, mas foi advertido por um de seus assessores. "O corte de verbas, você tem que entender, não é maldade de ninguém. Não tem dinheiro. Então... [Fábio Wajngarten diz para o presidente falar 'contingenciamento'] o contingenciamento, que é a palavra certa, foi um pequeno percentual nas despesas discricionárias", disse Bolsonaro.

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