Depois do Globo, Istoé confirma 247: Lula curado

Informao antecipada aqui j foi confirmada pelo jornal e pela revista semanal; reportagem deste fim de semana revela como o ex-presidente poder se dedicar nas eleies municipais e como pretende fortalecer seu instituto; leia

Depois do Globo, Istoé confirma 247: Lula curado
Depois do Globo, Istoé confirma 247: Lula curado (Foto: RICARDO STUCKERT/INSTITUTO LULA)

247 - Depois de ser confirmado pelo jornal O Globo, o furo de reportagem do 247, sobre a cura de Lula, foi também noticiado neste fim de semana pela revista Istoé, que destaca seus planos futuros em relação às eleições municipais e o fortalecimento de seu instituto. Leia a reportagem de Mario Simas Filho:

Na manhã da segunda-feira 6, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou irritado ao Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Estava cansado, nauseado e com uma forte dor na garganta – efeitos colaterais do duro tratamento médico a que vem se submetendo há cerca de três meses. Lula recebeu mais uma sessão de radioterapia e, como em outras vezes, foi andando com calma até uma ala de dez metros quadrados no setor de recuperação, onde costuma receber políticos que o visitam. Mas não naquele dia. O ex-presidente tinha preferido a presença de apenas um amigo de longa data. E foi ao lado dele que recebeu a informação que mudaria seu ânimo: o câncer detectado em outubro estava vencido pela intensa medicação. Segundo a definição de um de seus médicos, o tumor maligno de quase três centímetros “foi reduzido a zero”.

Era a notícia que Lula esperava e, de certa forma, havia antecipado em 1º de novembro, quando, apenas quatro dias após receber o diagnóstico de um câncer na laringe, fez sua primeira manifestação pública sobre a doença. Num vídeo divulgado pela internet, ao lado da esposa, Marisa Letícia, ele se empenhava em mostrar confiança: “Estou preparado para enfrentar mais uma batalha e acho que nós vamos conseguir tirar de letra.”

Mesmo sabendo que ainda tem pela frente a fase final das aplicações, que seguem até o dia 17 de fevereiro, o ex-presidente se empolgou. Mal chegou ao Instituto Lula na terça-feira 7, para onde segue quase todos os dias depois de deixar o hospital, disparou telefonemas. Comunicava a amigos e lideranças de diversos partidos o que tinha escutado do médico, sempre pedindo total discrição. Com os mais próximos, se animou até a discutir detalhadamente a ambiciosa agenda que projetou para 2012. Confiante por constatar que, afinal, está superando mais uma provação, ele planeja uma nova fase. Lula quer daqui para a frente dedicar seus dias a quatro missões: preparar o PT para as eleições municipais em todo o País, cravar uma vitória histórica em São Paulo, ampliar o Instituto Lula e angariar fundos para a construção do Memorial da Democracia. Mas Lula terá que esperar mais algumas semanas para entrar de cabeça nessas tarefas. Apesar de aliviado com a primeira vitória contra o câncer, o ex-presidente não passou bem o resto da semana. Em razão de uma enorme inflamação na garganta, mal conseguia comer, embora siga à risca o regime de dieta pastosa recomendado pelos médicos. Cansado, chegou a interromper por mais de duas vezes reuniões com a equipe do seu instituto. De acordo com pessoas próximas, Lula perdeu cerca de três quilos desde o começo do mês.

A equipe médica responsável pelos cuidados do ex-presidente não confirma o desaparecimento do tumor, preferindo referir-se apenas à fase concluída do tratamento; antes, portanto, das aplicações de radioterapia. “Sem dúvida, o prognóstico é muito bom porque o ex-presidente respondeu muito bem ao tratamento com quimioterapia, quando houve uma redução de 75% do tumor”, disse o oncologista Paulo Hoff, diretor do Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês e do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp). Ele vai aguardar os exames conclusivos, em março. Os médicos também orientaram Lula a não comparecer ao desfile da escola de samba Gaviões da Fiel no sábado 18, que terá como tema “Verás que um filho fiel não foge à luta: Lula, o retrato de uma nação”, em razão de sua ainda baixa imunidade. A última sessão de radioterapia acontecerá um dia antes da apresentação da Gaviões.

A partir de março, Lula terá vida normal. Passará apenas por exames periódicos (um câncer só é considerado realmente “curado” depois de cinco anos) e será acompanhado por uma fonoterapeuta para melhorar a fala e a deglutição na laringe. Nos últimos dias ele definiu com seus principais assessores o que chamou de “espinha dorsal” de sua agenda em 2012. Ficou definido que até o final de março ou no máximo até a primeira quinzena de abril, ele deverá permanecer a maior parte do tempo despachando no instituto. Sua atenção estará voltada prioritariamente às campanhas petistas em cerca de 120 cidades com mais de 150 mil habitantes pré-definidas e assinaladas em um mapa sobre a mesa de sua sala. Na avaliação do ex-presidente, em cerca de 30 desses municípios, incluindo Curitiba e Belo Horizonte, o PT deve abrir mão da cabeça de chapa para apoiar candidatos do PSB, do PMDB e do PDT. Um dos primeiros a ser chamado para uma conversa será o deputado federal Dr. Rosinha. Ele quer que o petista abandone a ideia de se candidatar ao Executivo da capital paranaense e apoie Gustavo Fruet (PDT). Especialista em montar palanques e solucionar conflitos entre as alas internas do PT, Lula pretende convocar as lideranças de sua legenda e convencê-las da importância de construir alianças amplas o mais rápido possível.

Entre abril e o fim de julho, Lula pretende dedicar seu tempo ao instituto que leva seu nome. Considerando que até lá estará livre dos efeitos colaterais da luta contra o câncer, priorizará visitas ao Exterior. Durante o tempo em que permaneceu sob tratamento, ele deixou de fazer cerca de 30 viagens internacionais para dar palestras que reforçariam o caixa da instituição. O ex-presidente tem insistido junto a seus assessores, principalmente Paulo Vanucchi e Paulo Okamoto, para que o Instituto Lula seja mais amplo que o PT, do ponto de vista ideológico. Ele pretende transformar a entidade numa referência mundial em formulação e implantação de políticas de inclusão social em desenvolvimento e consolidação de democracias. Para essa nova fase, o Instituto Lula planeja ampliar em 40% o número de funcionários e trocar a atual sede, um pequeno sobrado no bairro do Ipiranga, na capital paulista, por uma sala comercial com cerca de mil metros quadrados.

A partir de agosto, na reta final das eleições municipais, o ex-presidente dedicará o seu tempo ao que tem chamado de “mergulho nas campanhas”. Subirá em palanques em todos os municípios com mais de 150 mil habitantes para pedir votos aos candidatos do PT e aliados. Dará atenção especial, no entanto, à capital paulista, onde Fernando Haddad, seu ministro da Educação, será o candidato petista. Lula está empenhado em tirar proveito do índice de popularidade, que nunca esteve tão favorável entre os eleitores da maior cidade do País. Enquanto no pleito presidencial de 2006, o ex-presidente conseguiu apenas 35,7% dos votos paulistanos no primeiro turno na disputa por Palácio do Planalto, agora pesquisas, como o Datafolha, indicam que 48% dos eleitores da capital paulista dizem que podem escolher o candidato indicado pelo ele. Antes da doença, esse número de seguidores não passava de 16%. O cenário político, na opinião de Lula, também não poderia ser melhor: as forças que derrotaram a então prefeita Marta Suplicy, em 2000, estão divididas. Com a recusa de José Serra em concorrer, os tucanos ainda não acharam um nome para a disputa. De seu apartamento em São Bernardo, na noite da quarta-feira 8, Lula telefonou para um dos líderes petistas mais próximos a ele. Com a voz muito rouca, disse que a aliança com Kassab em São Paulo passou a ser vital ao seu projeto e explicou: “Não se trata apenas de ganhar a eleição em São Paulo, mas de quebrar a espinha dorsal da parceria PSDB com os liberais, representados ora pelo DEM, ora pelo PSD.”

Dois meses atrás, quando Kassab passou a se insinuar para o PT, Lula estava disposto a refutar o apoio, evitando entrar em rota de colisão com a senadora Marta Suplicy, que rejeita a possibilidade de dividir palanque com o atual prefeito. Há duas semanas, no entanto, a posição de Lula mudou. Até o fim de janeiro, o ex-presidente nutria a esperança de conseguir afastar da disputa paulistana o deputado federal Gabriel Chalita e compor uma chapa com o PMDB em São Paulo. Do hospital, manteve diversas conversas com o vice-presidente, Michel Temer, e com o próprio candidato peemedebista. “O Lula tentou de todas as formas convencer o PMDB e o Chalita a estar conosco ainda no primeiro-turno”, disse um dos principais confidentes de Lula. “Desde o início de fevereiro, no entanto, partiu para outra.” Para convencer os resistentes petistas a uma parceria eleitoral com o PSD de Kassab, Lula tem uma carta na manga. Na semana passada, durante conversa com o prefeito, o ex-presidente desenhou o que chamou de a “chapa dos sonhos”: Haddad, prefeito; Henrique Meirelles, vice. Na opinião do ex-presidente, até os petistas mais radicais de São Paulo não teriam problemas para subir em um palanque ao lado de Meirelles, tido no próprio partido como um dos pilares do sucesso do governo de Lula. Kassab prometeu se empenhar em convencer o ex-presidente do Banco Central a encarar o desafio. A ideia de Lula era ele mesmo ligar para Meirelles na quarta-feira 8. O seu estado físico, porém, não permitiu.

Outra missão encarada como primordial pelo ex-presidente está diretamente ligada à aproximação entre Lula e Kassab: a construção do Memorial da Democracia pelo Instituto Lula. Um museu que, além de contar com o acervo do período do ex-presidente na Presidência da República, apresentará temas que contribuíram para a evolução política do País, como a Anistia e a Constituinte. Cerca de 20 profissionais trabalham no projeto arquitetônico e na curadoria. Entre eles, Gringo Cardia, que participou também do desenvolvimento e da implementação do Memorial Minas Vale, do Museu das Telecomunicações e do Museu da Cruz Vermelha, na Suíça. “Tudo é muito preliminar, pois estamos nos reunindo ainda. Mas posso adiantar que será um espaço multimídia, no qual o público vai interagir com as obras”, conta Cardia. Certo mesmo é que o espaço será erguido em um terreno cedido recentemente pela Prefeitura de São Paulo na região da Cracolândia, área degradada no centro da capital paulista marcada pela presença de dependentes químicos e traficantes.

A doação da área em um período pré-eleitoral, no momento em que PT e PSD ensaiam uma aliança na capital paulista, foi fruto de negociações que começaram no primeiro semestre de 2011, conforme apurou ISTOÉ. Por meio de emissários, Lula tinha enviado a proposta de montar o Memorial da Democracia aos governantes da cidade de São Paulo e São Bernardo do Campo e do Estado do Rio de Janeiro. Kassab tomou a frente e passou a reunir-se com Paulo Okamoto, comandante do instituto, depois de regularizar a criação do PSD e se mostrar próximo ao governo em reunião da bancada da nova legenda com a presidenta Dilma. O prefeito também se reuniu com o próprio Lula para discutir o assunto. “Nessas negociações, Lula e Kassab começaram a criar uma afinidade”, diz um parlamentar do PSD. Em uma das visitas ao petista no Hospital Sírio-Libanês, Kassab comunicou a Lula a doação da área. Agora o desafio da entidade do ex-presidente é obter na iniciativa privada os recursos para viabilizar os custos. Uma das alternativas é oferecer a cada patrocinador o nome de uma das salas de exposição.

Lula pretende atrair para o Memorial da Democracia acervos de todos os presidentes que governaram o País após o fim da ditadura e, para isso, já mandou sinais a José Sarney e Fernando Henrique Cardoso. Atividades como essa, acima dos partidos em conflito, o encantam. E a força para realizá-las não deve lhe faltar. Afinal, o Lula que sai do calvário da luta contra o câncer é, inevitavelmente, um mito revigorado, sem paralelos na história política brasileira. A vitória sobre a doença, segundo especialistas em comunicação política ouvidos por ISTOÉ, ampliam a sua imagem de vencedor junto à população. Para a pesquisadora da Universidade Federal do Paraná e autora do livro “Lula, do Sindicalismo à Reeleição, um Caso de Comunicação, Política e Discurso”, Luciana Panke, o petista se projeta como poucos líderes na figura pública do herói descrita há mais de meio século pelo americano Joseph Campbell, um dos maiores estudiosos de mitologia e religiões do mundo. Segundo ele, a façanha da formação de um mito heroico começa com alguém a quem foi usurpada alguma coisa ou que sente estar faltando algo entre as experiências normais permitidas aos membros da sociedade. Essa pessoa, então, passa a empreender uma série de aventuras que ultrapassam o usual – com a intenção de recuperar o que tinha sido perdido ou para descobrir a essência da vida. “Lula faz questão de ressaltar em seus discursos as dificuldades pelas quais passou e as formas como deu a volta por cima. Cria, ao mesmo tempo, identificação e admiração entre o público”, explica Panke. “Provavelmente, esse caso da doença reforçará ainda mais essa trajetória acompanhada durante seus mais de 30 anos de vida pública.”

Lula pretende atrair para o Memorial da Democracia acervos de todos os presidentes que governaram o País após o fim da ditadura e, para isso, já mandou sinais a José Sarney e Fernando Henrique Cardoso. Atividades como essa, acima dos partidos em conflito, o encantam. E a força para realizá-las não deve lhe faltar. Afinal, o Lula que sai do calvário da luta contra o câncer é, inevitavelmente, um mito revigorado, sem paralelos na história política brasileira. A vitória sobre a doença, segundo especialistas em comunicação política ouvidos por ISTOÉ, ampliam a sua imagem de vencedor junto à população. Para a pesquisadora da Universidade Federal do Paraná e autora do livro “Lula, do Sindicalismo à Reeleição, um Caso de Comunicação, Política e Discurso”, Luciana Panke, o petista se projeta como poucos líderes na figura pública do herói descrita há mais de meio século pelo americano Joseph Campbell, um dos maiores estudiosos de mitologia e religiões do mundo. Segundo ele, a façanha da formação de um mito heroico começa com alguém a quem foi usurpada alguma coisa ou que sente estar faltando algo entre as experiências normais permitidas aos membros da sociedade. Essa pessoa, então, passa a empreender uma série de aventuras que ultrapassam o usual – com a intenção de recuperar o que tinha sido perdido ou para descobrir a essência da vida. “Lula faz questão de ressaltar em seus discursos as dificuldades pelas quais passou e as formas como deu a volta por cima. Cria, ao mesmo tempo, identificação e admiração entre o público”, explica Panke. “Provavelmente, esse caso da doença reforçará ainda mais essa trajetória acompanhada durante seus mais de 30 anos de vida pública.”

Leia, ainda, o que foi publicado no jornal O Globo:

247 - Está na página 15 do jornal O Globo, edição desta sexta-feira 15, o que os leitores de 247 souberam na manhã de anteontem, quarta-feira 8: o ex-presidente Lula está curado do câncer na laringe que vem sendo tratado pelos médicos do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. "Os médicos acreditam que seu tumor na laringe foi eliminado", registra o jornal. "Ele fará exames de controle, mas está muito bem. Acreditamos que o tumor sumiu, mas aguardamos as avaliações finais", disse um dos médicos, que não quis se identificar, à repórter Tatiana Farah, de O Globo, confirmando a informação publicada em primeira mão aqui.

E leia também:

Agência Estado - Para garantir a presença de seu homenageado no sambódromo do Anhembi, a Gaviões da Fiel prepara um esquema especial para que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva possa desfilar. A escola, que entrará na avenida na madrugada de sábado (18) pelo grupo especial de São Paulo, pretende colocar uma cobertura de acrílico no carro em que ele será destaque para que, em caso de chuva, Lula fique bem protegido.

Como o ex-presidente ainda não recebeu o aval da equipe médica para participar da homenagem, o carnavalesco Delmo Moraes apela para a intervenção de São Jorge, padroeiro do Corinthians e santo de devoção de Lula. "Eu rezei para São Jorge para que ele melhore, pule da cama e desfile, porque é isso o que ele quer", disse Delmo, que faz parte da Comissão de Carnaval formada por três carnavalescos.

Embora o Palácio do Planalto não confirme, por questões de segurança, a Gaviões revelou que a presidente Dilma Rousseff deve acompanhar o desfile do camarote da Prefeitura, no sambódromo. Os médicos não descartam totalmente a presença de Lula no sambódromo, mas são cautelosos em relação à sua condição física. No dia 17, véspera do desfile, o ex-presidente concluirá as 33 sessões de radioterapia contra um câncer na laringe.

Nas últimas semanas, o tratamento diário debilitou o ex-presidente, deixando-o com rouquidão e com incômodo na laringe, efeitos colaterais típicos deste tratamento. "Se o desfile fosse hoje, ele não participaria, pois ainda está debilitado por conta do tratamento", disse uma liderança do PT. "Mas se ele se sentir disposto, ele vai comparecer", acrescentou. Os médicos afirmam que a decisão só sairá na véspera do desfile. "É possível que ele desfile, mas só o tempo vai dizer", ressaltou um dos médicos.

A Gaviões da Fiel também preparou um esquema de segurança para deixar Lula longe do assédio do público e da imprensa. O ex-presidente deve aguardar no Campo de Marte e seguir de carro para a avenida momentos antes do início do desfile. "O esquema de segurança para ele será hollywoodiano", contou Delmo Moraes. Caso participe da homenagem, Lula desfilará, sem uma fantasia especial, no carro "Retrato de uma Nação Valente e Guerreira" com seus convidados, entre eles os jogadores do Corinthians, o ex-jogador Ronaldo Nazário, o lutador de MMA Anderson Silva, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, o ministro da Saúde Alexandre Padilha e o senador Lindbergh Farias (PT-RJ), além da esposa Marisa Letícia e da filha Lurian Cordeiro Lula da Silva. A presença das autoridades, segundo auxiliares do ex-presidente, vai depender da ida do petista ao Anhembi.

Um cordão de isolamento acompanhará o carro até o final do desfile, impedindo assim a aproximação de populares e fotógrafos. "Essa homenagem será a mais esplendorosa", prevê Delmo. A agremiação conta com a presença de Lula, mas está ciente de que a decisão depende de liberação médica. Em última instância, os carnavalescos Igor Carneiro, Fabio Lima e Delmo Moraes estudam uma alternativa, que não seja uma escultura, para suprir a ausência de Lula. "Aí é um outro segredo", desconversou Delmo.

Escorpião

A escola corintiana passará pelo Anhembi com 3.900 componentes, divididos em 26 alas e cinco alegorias. Depois do abre-alas virá o carro "A despedida do gavião carcará e do escorpião por um mundo melhor", seguido do carro "Barca da cidadania em viagem ao coração do Brasil" e do quarto carro "A vitória da esperança contra o medo". Este último representa a chegada de Lula ao Palácio do Planalto e terá como destaque o ator Fábio Assunção representando o motorista do Rolls Royce presidencial. O último carro da escola, onde devem estar Lula e seus convidados, vem representado com casinhas coloridas estilizadas em cordel. Na bateria, o destaque será a madrinha Sabrina Sato, presença tradicional nos desfiles da Gaviões. A escola também deverá fazer uma homenagem ao ex-jogador Sócrates, morto em dezembro de 2011.

A agremiação estima um investimento entre R$ 2 e 3 milhões na homenagem a Lula, recurso que, segundo a escola, é proveniente apenas do repasse da Liga das Escolas de Samba de São Paulo e das vendas de fantasias e convites para as festas da Gaviões. O enredo dedicado a Lula aumentou a procura por fantasias na escola e atraiu a atenção da imprensa internacional, a ponto da Gaviões abrir suas portas para TVs da China, França, Itália e até a árabe Al-Jazira. "Ele é um ícone que ultrapassa o sentido político", disse Delmo.

Diferentemente do ano passado, quando a Gaviões doou mais de 1 mil fantasias para a comunidade, este ano só em seis alas as fantasias foram doadas. "Este ano as fantasias de algumas alas se esgotaram três meses antes", contou Delmo. No ano passado, a Gaviões homenageou a cidade de Dubai, no Emirados Árabes, mas o tema não empolgou tanto os componentes quanto o ex-presidente. "O corintiano se identificou com o enredo (Lula)", justificou. A Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Força Sindical reservaram duas alas (que variam de 80 a 120 pessoas). Já os petistas compraram o pacote Ala Vip, que inclui fantasia, convite para festas, camiseta e adesivo do enredo, tudo a um custo de R$ 550.

Como os militantes e os sindicalistas não participaram dos ensaios, eles foram distribuídos pelas alas da escola para evitar que a falta de ensaio prejudique a evolução da Gaviões na avenida. O preço nas cinco alas em que ainda restam fantasias hoje é de R$ 450. Ainda há fantasias de destaque disponíveis, mas o preço é mais salgado: R$ 2.600, em média.

Conheça a TV 247

Ao vivo na TV 247 Youtube 247