Elio Gaspari pergunta: onde está o Queiroz?

"Deixando-se de lado o piti do futuro chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, que interrompeu uma entrevista ao ser questionado sobre o assunto, Bolsonaro foi onipotente e ingênuo ao supor que o silêncio de Queiroz poderia ser compensado por suas breves declarações", escrevei o jornalista Elio Gaspari em sua coluna na Folha deste domingo (16); segundo ele, tanto Jair como o filho, Flávio Bolsonaro, repetiram que estão fora da investigação e quem tiver feito algo errado "deverá pagar", mas o assessor Fabrício de Queiroz não aparece para explicar as movimentações suspeitas de R$ 1,2 milhão em sua conta

Elio Gaspari pergunta: onde está o Queiroz?
Elio Gaspari pergunta: onde está o Queiroz?

247 - Para o jornalista Elio Gasparri, o presidente eleito Jair Bolsonaro "lidou com a primeira crise do seu governo com uma mistura de onipotência e ingenuidade". Ele se refere ao escândalo do Bolsogate, que envolve um ex-assessor do filho de Bolsonaro, o deputado Flávio Bolsonaro, e o ex-assessor Fabrício de Queiroz que, segundo o Coaf, fez a movimentação de R$ 1,2 milhão, valor que não é compatível com o seu rendimento, além de 176 saques, sendo cinco num só dia, e recebeu 59 depósitos, todos em dinheiro vivo, incluindo depósito de funcionários do gabinete de Flávio.

"Diante de um problema no qual ele e o filho Flávio (eleito senador) não são investigados ou acusados de coisa alguma, transformaram o silêncio em suspeita/', afirma o jornalista em sua coluna publicada neste domingo (16), na Folha de S Paulo.

"Deixando-se de lado o piti do futuro chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, que interrompeu uma entrevista ao ser questionado sobre o assunto, Bolsonaro foi onipotente e ingênuo ao supor que o silêncio de Queiroz poderia ser compensado por suas breves declarações. Tanto ele como o filho repetiram que estão fora da investigação e quem tiver feito algo errado deverá pagar", enfatizou Gaspari, que repete a pergunta que não quer calar: "Até hoje, a questão é só uma: cadê o Queiroz?"

Ainda de acordo com Gaspari, além do sumiço de Queiroz, o episódio produziu um efeito colateral. "Apareceram os 'generais preocupados'", destaca, citando os comentários do vice-presidente eleito Hamilton Mourão, além de outros generais anônimos. Para elei, tais declarações "são um fator de verdadeira preocupação para paisanos e fardados".

"Bolsonaro é um exímio manipulador do que seria o pensamento de militares. Até sua eleição esse fator ventou a seu favor. Agora, poderia soprar contra. Para quem não gosta do presidente eleito, a brisa pode até ser motivo de alegria. O problema é que quando esse vento sopra, seja qual for a direção, arrasta tudo, inclusive a disciplina militar", advertiu.

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