Em menos de dois anos, governo Bolsonaro já fez 49 declarações racistas

Organizado pela Conaq e pela Terra de Direitos, site denuncia aumento de 106% no numero de manifestações entre 2019 e 2020. Jair Bolsonaro, sozinho, é responsável por 25% das manifestações compiladas

Reunião com ministros e parlamentares
Reunião com ministros e parlamentares (Foto: Alan Santos/PR)
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Cristiane Sampaio, Brasil de Fato - A Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) e a organização Terra de Direitos lançaram, nesta sexta-feira (20), um site que reúne uma série de discursos racistas proferidos por autoridades públicas brasileiras entre os anos de 2019 e 2020. A iniciativa é uma das diferentes ações articuladas pela sociedade civil neste 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, para chamar a atenção para a importância de se combater o preconceito racial.

A página, que pode ser acessada no endereço www.quilombolascontraracistas.org.br , traz 49 manifestações racistas feitas por autoridades no período pesquisado. Divididas em blocos temáticos, as declarações tratam de questões como reforço de estereótipos, incitações à restrição de direitos, negação do racismo, promoção da ideia de supremacia branca, tentativas de justificação ou negação da escravidão e do genocídio do povo negro.

Entre os autores de frases com esse tipo de conteúdo o mapeamento cita, com destaque, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido): sozinho, ele responde por 25% das manifestações compiladas. Parlamentares e atores do sistema de Justiça também constam no levantamento.

O site destaca, por exemplo, que houve aumento, de 2019 para 2020, da quantidade de discursos racistas verificados no cenário da opinião pública. O salto foi de 16 para 33 casos, uma adição de 106%.

“O racismo sempre existiu em nosso país, mas era velado, pois as pessoas tinham vergonha de admitir e ‘respeitavam as leis’. O discurso de autoridades revelando seu racismo potencializou as pessoas a fazerem o mesmo, com muita violência”, atribui a quilombola Sandra Maria Andrade, da Conaq, em um dos desabafos publicados pela página de monitoramento.

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