Executiva do PT: contra o 'aventureiro fascista', uma frente pela democracia e direitos do povo

A Executiva Nacional do PT aprovou no fim da manhã desta quarta o primeiro posicionamento do partido depois da eleição de Bolsonaro no último domingo; o partido considera o presidente eleito "um aventureiro fascista" que se elegeu numa "campanha de ódio e de mentiras"; e anuncia que o PT irá participar de uma "grande frente pela democracia e pelos direitos do povo"; Haddad é claramente indicado como uma liderança de grande peso do partido

Executiva do PT: contra o 'aventureiro fascista', uma frente pela democracia e direitos do povo
Executiva do PT: contra o 'aventureiro fascista', uma frente pela democracia e direitos do povo
Siga o Brasil 247 no Google News Assine a Newsletter 247

247 - A Executiva Nacional do PT aprovou no fim da manhã desta quarta-feira (31) o primeiro posicionamento do partido depois da eleição de Bolsonaro no último domingo. O partido considera o presidente eleito "um aventureiro fascista" que se elegeu numa "campanha de ódio e de mentiras". E anuncia que o PT irá participar de uma "grande frente pela democracia e pelos direitos do povo". Na nota há um agradecimento "a todos os militantes do PT, do PCdoB, do PSB, do PROS, do PSOL e de todos de outros partidos que votaram em Haddad". O candidato derrotado do PT é claramente indicado como uma liderança de grande peso do partido. A agenda definida pelo PT inclui: combate à reforma da Previdência Social, à entrega do pré-sal, ao alinhamento com os EUA, à extinção do Ministério do Meio Ambiente e às agressões aos direitos humanos.

A nota registra ainda o reforço à campanha Lula Livre no Brasil e no exterior e convoca "os diretórios regionais e municipais a se integrar com os movimentos sociais, a Frente Brasil Popular e a Frente Povo Sem Medo, organizando plenárias de articulação da resistência a partir de amanhã." 

 

Leia a íntegra da nota:

A candidatura de Fernando Haddad e Manuela D'Ávila, representantes da democracia e do projeto de desenvolvimento com inclusão social inaugurado no governo do ex-presidente Lula, recebeu a votação de mais de 47 milhões de eleitores. Elegemos a maior bancada na Câmara dos Deputados e uma das maiores representações nas Assembleias Legislativas, quatro governadores do PT e muitos de partidos aliados.

Agradecemos a todos os militantes do PT, do PCdoB, do PSB, do PROS, do PSOL e de todos de outros partidos que votaram em Haddad em defesa da democracia e dos direitos do povo. Neste segundo turno, formou-se uma verdadeira frente democrática, em defesa do estado de direito e da civilização, ameaçados pela candidatura fascista de Jair Bolsonaro; uma frente que contribuiu para manter acesa a luta pelo progresso e pela justiça social.

O processo eleitoral foi marcado, desde o início, pela violência e pelo ódio político, a começar pela cassação da candidatura do ex-presidente Lula. A cúpula do Judiciário ignorou uma determinação da ONU sobre o direito de Lula ser candidato. E foi incapaz de conter a indústria de mentiras nas redes sociais financiadas pelo caixa 2 de Jair Bolsonaro. Pela primeira vez desde a redemocratização tivemos uma eleição sem debates no segundo turno.

Diante da sociedade brasileira e dos observadores internacionais, que testemunharam os desvios e violência desta campanha, a Justiça Eleitoral e o Supremo Tribunal Federal têm o dever de investigar as ocorrências denunciadas pela população, pela imprensa e pelo PT na campanha de Jair Bolsonaro.

O PT e Fernando Haddad continuarão ao lado dos trabalhadores, do povo sofrido, da soberania do Brasil e da democracia, como sempre esteve há quase 40 anos. Vamos defender os movimentos sociais, como o MST e o MTST, e as pessoas que pensam ou são diferentes de Bolsonaro: os negros, os indígenas, o povo LGBTI. Contra a violência que já se mostrou por agressões e até assassinatos de quem se opôs à candidatura Bolsonaro.

Vamos resistir à reforma da Previdência que Michel Temer e Jair Bolsonaro querem fazer, contra os aposentados e os trabalhadores. Resistir à entrega do patrimônio nacional, das empresas estratégicas, das riquezas naturais do Brasil aos interesses estrangeiros. Vamos resistir à submissão do país aos Estados Unidos. Nossa bandeira é a do Brasil. Nunca beijaremos a bandeira dos Estados Unidos como fez Bolsonaro.

Vamos resistir à extinção do Ministério do Meio Ambiente e a todos os retrocessos que atingem a agricultura familiar, os direitos de negros e mulheres, a valorização da Cultura e dos direitos humanos

Diante das ameaças às organizações e à integridade física de quem defende a democracia, inclusive com um ataque organizado às universidades, vamos construir uma frente de resistência pelas liberdades democráticas, de organização e de expressão.

Vamos criar uma Rede Democrática de Proteção Solidária, com o lema "Você não está só", reunindo advogados voluntários para reagir aos casos de violação dos direitos humanos e direitos civis, de violação às liberdades de organização, de imprensa e de expressão.

Vamos reforçar a campanha Lula Livre no Brasil e no exterior, não só para fazer justiça a quem foi condenado e preso arbitrariamente, mas porque esta campanha simboliza a defesa da liberdade, da democracia e dos direitos humanos.

Convocamos os diretórios regionais e municipais a se integrar com os movimentos sociais, a Frente Brasil Popular e a Frente Povo Sem Medo, organizando plenárias de articulação da resistência a partir de amanhã.

A eleição de um aventureiro fascista é fruto de uma campanha de ódio e de mentiras, que nos últimos anos manipulou o desespero e a insegurança da população.

Vamos resistir numa grande frente pela democracia e pelos direitos do povo.

São Paulo, 30 de outubro de 2018

Comissão Executiva Nacional do PT

 

Participe da campanha de assinaturas solidárias do Brasil 247. Saiba mais.

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247