‘Explicações’ da polícia para prisão de ativistas reforçam ação arbitrária

Delegado justifica prisões para evitar "interferência em investigação". Processo é derivado de caso do edifício que desabou há um ano e nada tem a ver com os detidos

delegado André Figueiredo
delegado André Figueiredo

Rede Brasil Atual - A prisão de quatro líderes de movimentos de moradia na manhã desta segunda-feira (24) não tem justificativa em provas ou ações dos detidos, segundo os advogados que acompanham o caso. “A prisão é uma prisão política. Mesmo processo da Lava Jato. Não tem nenhum cabimento, embasamento jurídico. Pessoas públicas, com endereço, trabalho, poderiam ter sido intimadas e compareceriam. A prisão preventiva ou condução coercitiva só cabe se o acusado se nega a depor. Não precisa nem estudar direito para saber”, afirmou Raimundo Bonfim, advogado e coordenador da Central de Movimentos Populares (CMP).

A Polícia Civil cumpriu 17 mandados de busca e apreensão, além de nove mandados de prisão temporária, sendo quatro efetivados. Foram detidos Angélica dos Santos Lima, Sidney Ferreira Silva, Janice Ferreira Silva (conhecida como Preta Ferreira) e Ednalva Silva Franco, de diferentes movimentos de moradia. A Defensoria Pública e os advogados vão ingressar com pedidos de liberdade ainda hoje, mas é improvável que a liberação ocorra ainda esta noite. A prisão temporária é de cinco dias. As ordens foram expedidas pelo juiz Marco Antônio Martins Vargas.

O processo teve origem no inquérito que apurou as causas do incêndio e desmoronamento do edifício Wilton Paes de Almeida, que desabou no Largo do Paissandu, em maio de 2018. Segundo o advogado, todas as prestações de contas e notas fiscais dos gastos realizados em ocupações do movimento foram apresentadas à polícia. A ocupação no edifício Wilton Paes de Almeida não era coordenada por movimentos de moradia que atuam na região central.

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