Fiocruz desenvolve kits de diagnóstico molecular para testes de varíola do macaco

Exames proporcionam resultados rápidos e podem ser disponibilizados ao sistema de saúde assim que Anvisa aprovar

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(Foto: Bernardo Portella /Bio-Manguinhos/Fiocruz)


Brasil de Fato - O Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) aguarda autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso de dois kits de diagnóstico molecular que devem ajudar na identificação de casos de monkeypox, ou varíola dos macacos, no Brasil. 

Com a aprovação, será possível disponibilizar ao Sistema de Saúde testagens com resultados em cerca de duas horas e diagnósticos ainda mais precisos com diferenciação de vírus relacionados.

O chamado Kit Molecular Monkeypox (MPXV) usa tecnologia PCR em tempo real, e foi desenvolvido seguindo recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) para o diagnóstico da nova doença.

Por si só, o método PCR já representa uma verdadeira revolução para a ciência. A sigla não é desconhecida do grande público, foi popularizada a partir dos testes feitos na pandemia da covid-19. Ela significa reação em cadeia da polimerase (do inglês polymerase chain reaction). Por meio dessa técnica, é possível amplificar cópias de um pedaço de DNA para análises. 

Com o kit da Bio-Manguinhos, é possível confirmar se há material genético do vírus em amostras retiradas de feridas na pele de pacientes com suspeita da nova doença. O teste tem capacidade de identificar duas cepas distintas, uma delas já registrada no Brasil. 

Já o Kit molecular 5PLEX OPV/MPXV/VZV/MOCV/RP, além de fazer a detecção, também atua para diagnóstico diferencial de vírus relacionados. Ele pode identificar outros vírus que causam postulas na pele, como o varicella zoster e o molusco contagioso.

A diferenciação clínica é importante para os casos classificados como negativos para monkeypox em pacientes que têm sintomas e que precisam de cuidados. 

Os dois tipos de testagem também são primordiais para a vigilância epidemiológica no SUS. Por meio delas, é possível não só identificar novos casos e agilizar o tratamento, mas também monitorar variante o comportamento do vírus. 

A pesquisadora Patrícia Alvarez, que liderou o desenvolvimento dos kits, conta que o processo para criação dos testes durou cerca de dois meses. Segundo ela, a partir da aprovação da Anvisa e da chegada de insumos, a Bio-Manguinhos já tem possibilidade de ofertar os kits para o sistema de saúde.

“Visando a obtenção mais rápida do registro, Bio-Manguinhos antes de submeter para registro solicitou reunião no parlatório da ANVISA para poder incorporar na documentação todas as informações e necessidades solicitadas. Adicionalmente, por ser uma emergência temos a expectativa que os registros saiam rapidamente.”

Um dos compromissos do laboratório é justamente apresentar soluções de rápida implementação para uma resposta ágil à situação de emergência. A tecnologia permite uso imediato nos diversos laboratórios públicos pelo país. A Fiocruz informou ainda que há capacidade  de escalonar a fabricação dos kits, sem impactar as outras produções do Bio-Manguinhos. 

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