Fui demitido por me recusar a 'participar de esquema imoral', diz presidente da Apex

Em entrevista ao UOL, Mario Vilalva disse que sua exoneração pelo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, foi porque não quis participar de um esquema "imoral"; "Você imagina um ministro de Estado fazendo uma coisa dessa, com o conluio do advogado da Apex, que era subordinado a mim? Esse governo não pode fazer esse tipo de coisa", criticou

Fui demitido por me recusar a 'participar de esquema imoral', diz presidente da Apex
Fui demitido por me recusar a 'participar de esquema imoral', diz presidente da Apex

247 - Em entrevista ao UOL, o diplomata Mario Vilalva, afirmou que recebeu a notícia de sua exoneração pelo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, "com um misto de alívio e frustração", mas caiu atirando. Disse que não quis participar de um esquema "imoral".

"Eu já estava resistindo desde que cheguei à Apex e notei que eu não havia sido contratado para cuidar de comércio exterior. Fui contratado para cuidar de uma determinada pessoa que tem lá dentro e eu me recusei a participar de um esquema que achava absolutamente imoral", disse ele, sem citar nomes.

Vilalva afirmou que foi pressionado pelo ministro Araújo durante todo o período que esteve à frente da Apex. "Foram 90 dias de muita agonia, muito bombardeio e desavenças internas. Eu tentei, seja pelo diálogo pela conversa, mostrar que é importante observar normas, leis e procedimentos. Mas as pessoas não querem saber, elas têm suas agendas próprias e nem querem que um sujeito da minha idade fique lembrando a eles que este tipo de comportamento é necessário", declarou o embaixador.

Vilalva disse que não ficou confortável com as mudanças feitas pelo ministro no estatuto da agência, sem sequer consultá-lo. As medidas tiraram os poderes do presidente, neste caso Vilalva, e fortalecia membros da diretoria ligados ao PSL.

"Sofri situações muito embaraçosas, até que chegou ao ponto do que foi visto na imprensa ontem, de que foi descoberta a tentativa do ministro Ernesto Araújo de mudar o estatuto da agência, transferindo os poderes da presidência da agência para os dois diretores. Isso foi feito na calada da noite, arquivado em um cartório e só 25 dias depois é que foi descoberto pela Folha", relatou.

"Você imagina um ministro de Estado fazendo uma coisa dessa, com o conluio do advogado da Apex, que era subordinado a mim? Esse governo não pode fazer esse tipo de coisa", criticou.

Na entrevista, Vilalva citou que foram oferecidos a ele outros postos diplomáticos para que ele deixasse a presidência do órgão responsável pelo sistema comercial do país. "Mas eu não saio pela porta dos fundos. A honra é muito mais importante do que qualquer tipo de benesse material. E eu não me vendo por este tipo de coisa, preferi morrer lutando", garantiu.

Ao vivo na TV 247 Youtube 247