Igor Fuser: Brasil não quer guerra, mas também não quer dizer não aos EUA

O professor da UFABC Igor Fuser, em entrevista à TV 247, afirmou que a "ajuda humanitária" proposta pelos EUA à Venezuela é um "cavalo de Tróia" para favorecer a entrada das Forças Armadas americanas no país e que tem como intenção desestabilizar o governo de Maduro; assista

Igor Fuser: Brasil não quer guerra, mas também não quer dizer não aos EUA
Igor Fuser: Brasil não quer guerra, mas também não quer dizer não aos EUA

247 - O professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC (UFABC) Igor Fuser fez uma análise sobre a suposta ajuda humanitária dos Estados Unidos à Venezuela. Ele explica que esse tipo de ação é destinada a países que vivem cataclismas e extremas penúrias e que entidades humanitárias são quem podem levar ajuda humanitária, como Cruz Vermelha, Médicos Sem Fronteiras e Oxfam.

Para o professor, a ação apresentada ao mundo como "ajuda humanitária" pelos EUA é, na verdade, uma maneira de enfraquecer e derrubar o governo do presidente Nicolás Maduro. "Essa ajuda humanitária dos EUA é simplesmente um cavalo de Tróia para um ingresso de forças na Venezuela e para a desestabilização política interna do país. Uma ajuda que, ao contrário das práticas internacionais, não será entregue nem ao governo e nem a nenhuma organização realmente humanitária, mas a um grupo golpista de oposição que utilizará desses suprimentos para desmoralizar o governo".

Fuser esclarece que o ingresso dos militares americanos na Venezuela pode provocar um conflito ainda maior e que essa é a intenção do governo estadunidense. "O que menos importa para quem está organizando essa ação é a ajuda a população. O que importa é criar um incidente internacional que permita radicalizar a situação a um outro patamar, elevar o nível de confronto e conflito para que se crie um pretexto para uma ação militar contra a Venezuela. É um perigo real".

Sobre a posição do governo do Brasil acerca da intervenção americana na Venezuela, o professor Igor Fuser a classificou como "uma das coisas mais lamentáveis que se pode encontrar no cenário da diplomacia global da atualidade", e explicou que a diplomacia brasileira segue linhas mestras que foram criadas há mais de 100 anos. "Quais são esses princípios? O Brasil sempre defendeu a solução pacífica para os conflitos internacionais, a não ingerência nos assuntos internos de outros países e a defesa da América do Sul como um continente de paz. E agora estamos a beira de uma guerra internacional que pode muito facilmente envolver o Brasil com o governo Bolsonaro, que é um governo de alinhamento incondicional aos EUA".

O professor explica que os militares brasileiros estão relutantes quanto a assumir o protagonismo na mobilização militar dos Estados Unidos porque essa parceria pode trazer riscos ao país. "Nós como brasileiros, não temos nada a ganhar com esse conflito".

Fuser concluiu dizendo que o papel das Forças Armadas do Brasil é se voltar para ajudar a resolver problemas do país, como cuidar das fronteiras, defender a soberania brasileira e contribuir em situações de calamidade.

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