Janine critica ataques a Rui Costa, mas diz ser contra a cobrança nas públicas

"Considero errado e injusto atacar o governador Rui Costa porque sugeriu a cobrança de mensalidade nas universidades públicas. Discutir não ofende. Mas eu sou contra essa medida", afirmou o ex-ministro da educação Renato Janine Ribeiro

Janine critica ataques a Rui Costa, mas diz ser contra a cobrança nas públicas
Janine critica ataques a Rui Costa, mas diz ser contra a cobrança nas públicas

247 - O ex-ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, afirma que o debate sobre a cobrança de mensalidade nas universidades públicas deve estar na mesa e disse que considera "errado e injusto" as críticas feitas contra o governador da Bahia, Rui Costa (PT), que defendeu a proposta.

"Considero errado e injusto atacar o governador Rui Costa porque sugeriu a cobrança de mensalidade nas universidades públicas. Discutir não ofende. Mas eu sou contra essa medida", afirmou o ex-ministro.

Ele explica que cobrar dos mais ricos, em geral, e cobrar dos estudantes mais ricos, em particular, não é a alternativa. "Penso que o melhor é cobrar dos mais ricos, estudem ou não", afirmou. "Se não estudarem, estão financiando quem estuda. Se estudarem, estarão recebendo de volta parte do que pagaram", acrescenta.

Segundo Janine, calcular o preço de cada curso universitário "é complicado" e gera burocracia. Além disso, identificar quem será isento, ou seja, os mais pobres, também é complexo e gera burocracia, pois não serão apenas os cotistas.

Ele destaca ainda que alguns cursos poderão ficar sem demanda, com vagas ociosas, dependendo do preço cobrado.

"A educação gera riqueza para a sociedade. Quanto mais alunos tivermos em bons cursos - e a maior parte deles está nas universidades públicas - mais nos desenvolveremos. E não é apenas com cursos de viés mais técnico, não. O valor de um bom curso que trate da desigualdade social é inestimável, para sermos um país decente", aponta.
Janine reforça que sem foi crítico do que denomina de "privatização do diploma", que é a "atitude do egresso que não restitui, em nada, à sociedade o que ela investiu na sua formação".

"Mas não penso, nunca pensei, que essa devolução se deva dar em dinheiro, tipo pagando dois anos ou quatro de carnê. O que defendo é que ela se dê a vida toda! Para isso, temos que formar pessoas com responsabilidade social. Infelizmente, há pouco disso na universidade brasileira. A meu ver, essa é uma prioridade", conclui.

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