Juiz dá cidadania brasileira a menino sequestrado por coiotes no Haiti

Mãe não tinha dinheiro extra exigido pelo transporte do filho; coiotes se vingaram e o abandonaram ao léu; juiz Ali Mazloum peitou Advocacia Geral da União e Ministério Da Justiça: “Quero que ele vire brasileirinho”

Juiz dá cidadania brasileira a menino sequestrado por coiotes no Haiti
Juiz dá cidadania brasileira a menino sequestrado por coiotes no Haiti (Foto: Divulgação)
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Claudio Julio Tognolli _247 – Inovador por ter criado a primeira vara da América Latina em que as partes sabem a data exata em que vão acabar os seus processos, o juiz federal Ali Mazloum fixou decisão que vai deixar a Advocacia Geral da União e o Ministério da Justiça numa sinuca de bico: Mazloum exige que o governo brasileiro conceda cidadania a um menino haitiano, agora com 14 anos de idade, trazido a São Paulo por uma quadrilha de coiotes (atravessadores), que o roubaram de sua mãe.

O menor haitiano foi abandonado em São Paulo, e encontrado perambulando na estação do Metro Corinthians-Itaquera, em 21 de dezembro de 2009. Sua mãe, moradora da Guiana Francesa, contratou três coiotes. Os atravessadores sacaram o menino da cidade de Fundos dos Negros, no interior do Haiti, a 1 de dezembro de 2009. O menino desceu para a América Latina num avião da Copa Airlines. Passou pelo Panamá, pelo Peru, pisou na Argentina em 15 de dezembro e, uma semana depois, foi largado na estação do Metrô paulistano.

Recolhido pelos seguranças do Metrô, o menino passou a ser tutelado pelo juiz Paulo Fadigas, da Vara da Infância e Juventude de São Paulo. Segundo o juiz, três pessoas tentaram reaver o menino ali. Estas três pessoas são os coiotes.

O grupo de coiotes, segundo as investigações de Ali Mazloum, é comandado por Jean Paul Samuel Myrthil. É ele quem comanda os coitotes Guirlande Baptistin, Jean Pierre Sainvil, Witchine Cadet e Sandra Lorthe.

A perfídia de Jean Paul Samuel Myrthil foi tamanha que, depois de ter trazido o menino a São Paulo, ele telefonou para Diuele Goin, mãe do menino. Falando de Port au Prince com a Guiana, ele disparou à mãe. “Aumentei o preço e par ate levar ele agora quero mais mil euros”. A mãe, que já pagara US$ 1,9 mil pela “coiotagem”, referia que não dispunha de mais dinheiro. Secamente, Jean Paul Samuel Myrthil devolve: “Ok, então a senhora não me paga e seu filho já era…vou soltar ele por aí”. E o menino foi literalmente desovado no extremo da zona leste de São Paulo.

Nesta sexta-feira, Ali Mazloum decretou que a Polícia Federal emita o Alerta Vermelho, para que os coitotes passem a ser caçados em todos os aeroportos do mundo.

Estima-se que vivam no Brasil 50 menores haitianos trazidos ao país por coiotes. Trinta deles são meninas.

 “O menino tem três anos roubados de sua infância, longe da família, sem convívio social, pois não tem documentos e a burocracia impediu que viajasse à Guiana Francesa onde vive sua mãe. Recebi a denúncia contra contra a quadrilha e coloquei o menor em progama de proteção a vítimas e testemunhas. Por questão humanitária fui além. Entendi que o Brasil é corresponsável pela dramática situação do menor. Determinei que fosse concedida cidadania brasileira ao garota, de forma a poder ter uma identidade e poder viajar para junto de seus familiares”, disse o juiz federal Ali Mazloum ao Brasil 247.

A questão vai criar polêmica, já que o processo de naturalização tem uma disciplina legal rígida que não prevê a hipótese deste caso. Espera-se que a Advocacia Geral da União e o Ministério da Justiça criem resistência à decisão de Mazloum Mas acho que tornar o menor um brasileirinho é a única forma de minimizar o drama dele”, diz Mazloum.

O caso do menino foi revelado pelo programa Fantástico, da TV Globo, em 17 de abril de 2011. Veja:

http://www.youtube.com/watch?v=TRHoTuE6xng

 

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