Kassab, Braga e Gabas foram espionados, diz PF

Operação Dukheim, deflagrada ontem pela Polícia Federal, prendeu quadrilha que roubou dados pessoais de 10 mil pessoas, 180 já identificadas; pacotes de informações eram vendidos para fins diversos; entre as vítimas estão o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, o senador Eduardo Braga e o ex-ministro da Previdência Social Carlos Eduardo Gabas, que tiveram violadas declarações de imposto de renda e extrato telefônico

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247 – O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), o líder do Governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), e o ex-ministro da Previdência Social Carlos Edurado Gabas tiveram informações pessoais violadas por uma quadrilha identificada pela Operação Dukheim, da Polícia Federal. Entre os dados coletados pela rede de espionagem, há extratos telefônicos com históricos de ligações de Kassab em maio e junho deste ano, cópias de declarações de imposto de renda de Braga (exercício 2012) e de Gabas (2011). Relatório da PF aponta que Braga declarou, como senador e como beneficiário da Amazonprev, R$ 293,954,43, aponta reportagem do jornal O Estado de S.Paulo.

Deflagrada nesta segunda-feira, a ação cumpriu 25 mandados de prisão temporária e 87 de busca e apreensão em cinco Estados. Entre os alvos investigados, está o presidente da Federação Paulista de Futebol, Marco Polo Del Nero, que teve dois computadores apreendidos, levado à Superintendência da PF em São Paulo para prestar depoimento e liberado em seguida. De acordo com Del Nero, ele está sendo investigado porque quis comprar informações sobre uma pessoa com quem queria fazer negócios.

Além dos três políticos, dois desembargadores foram alvos do grupo criminoso: Luiz Fernando Salles Rossi, do Tribunal de Justiça de São Paulo, e Júlio Roberto Siqueira Cardoso, do órgão de Mato Grosso do Sul. Foram roubadas cópias da declaração de Rossi e extratos telefônicos de Cardoso. O líder do esquema, de acordo com relatório de 2.194 páginas da PF, é Itamar Ferreira Damião, eleito nas últimas eleições como vice-prefeito do município de Nazaré Paulista, interior de São Paulo, pelo PSC. Preso nesta segunda, Damião tem experiência com arapongagem e patrimônio declarado em R$ 3,35 milhões.

Nos dados coletados pela PF, consta que a organização tinha em mãos 3.500 páginas de extratos telefônicos do Banco Itaú – a PF informou ontem que havia um banco entre os que tiveram informações violadas e que um gerente estaria envolvido no roubo de dados. Os arapongas trocavam e-mails com as informações sigilosas coletadas e com a cobrança pelo serviço – no e-mail que enviava a declaração do desembargador Rossi, Vanda Rodrigues da Cunha Rodrigues, que se identificava como detetiva particular, cobra R$ 1,7 mil de Damião, que tem o apelido de "Pequeno".

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"Na tela dos arapongas estava cópia da fatura do telefone de Kassab, no valor de R$ 1.152,59, com data de vencimento de 10 de agosto e conta de outra operadora, vencida no débito automático a 7 de agosto, de R$ 353,29", revela a reportagem do Estadão. A PF faz um comentário específico sobre o roubo: "Hélio [Cardoso da Silva, outro araponga] relatou a Itamar o medo do fornecedor das informações por causa de se tratar do Prefeito de São Paulo". Também foi alvo da operação três bancas de advocacia de São Paulo, entre elas o escritório da advogada Priscila Correa da Fonseca, que teve uma batida em sua casa.

Como funcionava a quadrilha

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De acordo com a PF, um grupo era responsável pelo roubo de dados em empresas de telefonia, bancos ou órgãos públicos – como o Infoseg, cadastro secreto do Ministério da Justiça. Outro grupo de investigados era formado pelos compradores, interessados em dados secretos de pessoas com objetivos diversos, como informações financeiras a fim de realizar negócios e até pessoas comuns, que suspeitavam de traição, por exemplo. Os pacotes de dados eram vendidos por pessoas que se identificavam como detetives particulares e que vendiam os dados roubados a preços módicos: de R$ 30 a R$ 50. Quando chegava ao consumidor final, o valor não ultrapassava R$ 300.

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