Kotscho relembra Campos: não podemos desistir do Brasil

O jornalista Ricardo Kotscho, destaca que a frase "não podemos desistir do Brasil!" dita pelo ex-governador Eduardo Campos em sua última entrevista antes de morrer em um acidente de avião nunca foi tão atual; para ele, a declaração de Campos, merece ser relembrada aos netos para que eles "não desanimem diante das enormes dificuldades que nosso país está enfrentando neste momento, com nossa democracia correndo mais uma vez sério risco de sobrevivência", em referência a candidatura de extrema direita de Jair Bolsonaro (PSL)

Kotscho relembra Campos: não podemos desistir do Brasil
Kotscho relembra Campos: não podemos desistir do Brasil

Por Ricardo Kotscho, no Balaio do Kotscho"Não podemos desistir do Brasil!" (as últimas cinco palavras ditas pelo meu amigo Eduardo Campos, ao final da entrevista no Jornal Nacional, na véspera da sua morte num acidente de avião, quando era candidato a presidente da República, em agosto de 2014).

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Meus queridos netos, Laura, João, Isabel, André e Olguinha,

tenho me lembrado muito nos últimos dias desta frase de Eduardo Campos, que entrevistei várias vezes, jovem político pernambucano que era apaixonado pelo Brasil e seu povo, e sempre falava com muito entusiasmo das nossas potencialidades como nação.

Tão apaixonado pelo Brasil como ele eram meus pais, que não se cansavam de me dizer quando eu era pequeno: "Este aqui é o melhor país do mundo. Você deu muita sorte de ter nascido aqui".

Foi mesmo uma sorte, porque nasci poucas semanas depois de meus pais chegarem ao porto de Santos, num navio de refugiados de guerra que sobreviveram à grande tragédia do nazifascismo que tinha varrido a Europa dos nossos antepassados.

Grávida de sete meses, vovó Bete passou muito mal durante a viagem e por pouco não nasci no navio, que era de bandeira francesa.

Assim começou a vida da nossa família aqui, naqueles tempos difíceis do pós-guerra, quando a fome e o medo ainda grassavam em muitos países europeus.

Isso foi há exatos 70 anos, a minha idade.

Por que estou me lembrando de tudo isso agora, nestes dias que antecedem mais uma eleição direta para presidente da República, um direito duramente reconquistado pela minha geração, depois dos longos anos de ditadura?

É para pedir a vocês que não desanimem diante das enormes dificuldades que nosso país está enfrentando neste momento, com nossa democracia correndo mais uma vez sério risco de sobrevivência.

Leia a íntegra no Balaio do Kotscho.

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