Lava Jato diz que Lula transformou PF em “comitê” e pede restrição a visitas de Gleisi

Em documento apresentado à juíza Carolina Lebbos, a força-tarefa do MPF na Lava Jato criticou a quantidade de visitas recebidas pelo ex-presidente Lula na prisão; procuradores também pedem que a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), não faça mais parte da equipe de advogados de Lula, o que permite ela visitar o seu correligionário a qualquer momento

Lava Jato diz que Lula transformou PF em “comitê” e pede restrição a visitas de Gleisi
Lava Jato diz que Lula transformou PF em “comitê” e pede restrição a visitas de Gleisi (Foto: Dir.: Stuckert)

247 - Em documento apresentado à juíza Carolina Lebbos, a força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF) na Operação Lava Jato criticou a quantidade de visitas recebidas pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na prisão. Os procuradores também pedem que a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), não faça mais parte da equipe de advogados de Lula, o que permite ela visitar o seu correligionário a qualquer momento. A Lava Jato diz que Lula transformou sua cela em "comitê de campanha". A petição à juíza é datada de 28 de junho, mas tem assinatura digital de terça-feira (14), quando foi juntada ao processo.

Por ser ex-presidente, Lula está preso em uma sala especial na Superintendência da PF em Curitiba. "Todavia, o fato de ser executada pena restritiva de liberdade em estabelecimento especial, não significa que ao apenado seja permitido, ou assegurado indiscriminadamente, receber a visita de tantas pessoas, em qualquer dia, como vem ocorrendo", escreveram os 13 representantes da Lava Jato. Os relatos foram publicados no site Uol.

Os procuradores dizem que, após analisarem a movimentação no processo de execução da pena, verificaram "uma série de condutas praticadas por Luiz Inácio Lula da Silva, pessoalmente ou por meio de seus defensores constituídos, que aparentemente não estão em consonância com os limites impostos pela lei de execução penal". "Atos esses que tangenciam a prática de falta disciplinar imputável ao custodiado e que, em condições outras, poderiam redundar em imposição de sanção disciplinar", diz o MPF.

O principal ponto reclamado é a "proliferação de advogados que estão juntando procuração aos autos da execução, todos eles parlamentares ou em postos de lideranças no Partido dos Trabalhadores", aponta o documento.

Desde o início do cumprimento da pena, tornaram-se advogados de Lula o secretário de finanças do partido, Emídio de Souza, o deputado federal Wadih Damous, o ex-deputado federal Sigmaringa Seixas, Gleisi e do ex-prefeito paulistano Fernando Haddad, vice na chapa de Lula ao Planalto.

"Parece haver, em realidade, uma aparente tentativa de ludibriar as regras fixadas para visitação do encarcerado, possibilitando assim a visita em qualquer dia, desde que o visitante seja advogado", avalia a Lava Jato. "A juntada de instrumento de mandato aos autos é para o exercício da defesa nos autos judiciais da execução penal e não para o exercício de atividade política, como aparenta".

Conheça a TV 247

Ao vivo na TV 247 Youtube 247