Líder da frente evangélica parte para a guerra contra Mourão

"Mourão é um poeta calado. Sempre que abre a boca cria um problema para o governo", a frase dita pelo deputado federal Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ) durante uma entrevista é para deixar o presidente Jair Bolsonaro preocupado com o comportamento do vice-presidente Hamilton Mourão; Cavalcante é o principal porta-voz da Frente Parlamentar Evangélica, que reúne 108 deputados e 10 senadores na atual Legislatura

Líder da frente evangélica parte para a guerra contra Mourão
Líder da frente evangélica parte para a guerra contra Mourão (Foto: Esq.: Alex Ferreira - Câmara / Dir.: José Cruz - ABR)

Agência Sputnik - "Mourão é um poeta calado. Sempre que abre a boca cria um problema para o governo", a frase dita pelo deputado federal Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ) durante uma entrevista é para deixar o presidente Jair Bolsonaro preocupado com o comportamento do vice-presidente Hamilton Mourão.

O motivo é porque Sóstenes Cavalcante é o principal porta-voz da Frente Parlamentar Evangélica, que reúne 108 deputados e 10 senadores na atual Legislatura. O grupo é uma base de apoio importante ao presidente Jair Bolsonaro. Eles se mostraram insatisfeitos com algumas declarações feitas por Mourão que foram repercutidas pela imprensa.

Os evangélicos ficaram incomodados com o vice por conta de uma entrevista na qual ele defendeu que o aborto é uma escolha da mulher, tema que desperta a ira de grupos religiosos brasileiros.

"A questão do aborto também é algo que tem que ser bem discutido, porque você tem aquele aborto onde a pessoa foi estuprada, ou a pessoa não tem condições de manter aquele filho. Então talvez aí a mulher teria que ter a liberdade de chegar e dizer ‘preciso fazer um aborto'", disse Mourão ao jornal O Globo.

Para o analista político e professor da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado, João Paulo de Andrade Vergueiro, esse tipo de declaração dada por Mourão acaba transformando Bolsonaro em uma espécie de "bombeiro" e prejudica o governo.

"Quando você tem que parar para ficar discutindo e repercutindo o tempo inteiro declarações do seu vice isso prejudica a gestão do governo. Imagino que o presidente gostaria de focar no que é prioritário e não ficar apagando incêndios causados pelo vice", afirmou à Sputnik Brasil.

Além da fala sobre o aborto, outra declaração que incomodou muito a Frente Parlamentar Evangélica foi a respeito da mudança da embaixada brasileira em Israel de Tel Aviv para Jerusalém. Mourão recebeu o embaixador palestino e disse que "por enquanto" o Brasil não mudará sua embaixada em Israel para Jerusalém.

"Esse foi um compromisso de campanha do presidente da República com nosso segmento. Nós não pedimos muitas coisas a ele, mas essa foi uma delas", disse Sóstenes na mesma entrevista ao jornal Estado de S.Paulo.

João Paulo de Andrade Vergueiro diz que esses desentendimentos entre Mourão e grupos evangélicos são tentativas de ocupar espaço no início do governo.

"Nós temos pouco mais de um mês de governo com todo mundo buscando ocupar espaço, marcar sua posição e fazer avançar sua pauta. É natural que isso viesse a gerar alguns conflitos e desentendimentos, esse desgaste que está ocorrendo vai continuar acontecendo nos próximos meses e vai depender do presidente conseguir fazer essa harmonização entre as várias opiniões dentro do governo", justificou.

O cientista político ponderou dizendo que Mourão sempre se posicionou publicamente, desde antes de se tornar vice-presidente da República.

"O Mourão já publicava via Twitter e dava entrevistas emitindo várias opiniões polêmicas, sobre o regime militar, participação social e aí por diante", disse Vergueiro.

Uma das decisões que chamaram a atenção do cientista político foi de fazer os despachos da Presidência da República de dentro do hospital onde está se recuperando da cirurgia que, segundo Vergueiro, tem relação com as declarações de Mourão.

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