Marcelo Auler: o estratégico silêncio de Bolsonaro e Queiroz

O jornalista Marcelo Auler, do Jornalistas pela Democracia, afirma que Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz e sua família evitam prestar depoimento para "na verdade evitar contradições"; "Se silenciam é por não terem explicações razoáveis. Caso as tivessem, seriam os primeiros e os maiores interessados em apresentá-las"; o jornalista ainda afirma que "Queiroz, seus familiares e o senador eleito Bolsonaro sabem que, depondo ou não, as investigações avançam sobre as suspeitas movimentações que totalizaram mais de R$1,2 milhão, no período de um ano. Mas desconhecem o que o MPRJ tem em mãos"

Marcelo Auler: o estratégico silêncio de Bolsonaro e Queiroz
Marcelo Auler: o estratégico silêncio de Bolsonaro e Queiroz

Por Marcelo Auler, do Jornalistas pela Democracia, em seu Blog - Ao expor, após assumir seu segundo mandato como procurador-geral de Justiça do Rio de Janeiro, que o Ministério Público do Rio (MPRJ) independe de depoimentos dos envolvidos para investigar as estranhas movimentações apontadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) na conta de Fabrício José Carlos de Queiroz, ex-assessor do deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), Eduardo Gussem acabou apresentando o real motivo do silêncio de todos os envolvidos em tais movimentações financeiras suspeitas.

O oficial reformado da PM-RJ Queiroz, suas filhas Nathalia e Evelyn Melo de Queiroz, sua atual esposa, Márcia Oliveira Aguiar, assim como o deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), com alegações variadas e pouco críveis não compareceram ao MPRJ quando chamados a depor para esclarecimento. Na verdade, querem, como é direito deles, evitar contradições.

Se silenciam é por não terem explicações razoáveis. Caso as tivessem, como o próprio Gussem explicou, seriam os primeiros e os maiores interessados em apresentá-las. Ao levarem suas justificativas, ou mesmo a chamada tese de defesa, ao conhecimento dos promotores permitiram que elas fossem checadas e as dúvidas por final existentes afastadas. Desde que verdadeiras. Ao que parece, porém, é que não as tem.

Queiroz, seus familiares e o senador eleito Bolsonaro sabem que, depondo ou não, as investigações avançam sobre as suspeitas movimentações que totalizaram mais de R$1,2 milhão, no período de um ano. Mas desconhecem o que o MPRJ já tem em mãos. Com isso, qualquer história mal contada poderia ser derrubada no próprio depoimento, com a apresentação de dados já levantados e ainda não revelados.

A esta altura, por exemplo, os promotores, à frente o procurador-geral de Justiça, Gussem, contam não apenas com quebras de sigilos bancários, que ajudem a destrinchar os depósitos e saques feitos na referida conta.

Possivelmente já rastrearam cadastros dos DETRANs que revelem a veracidade dos argumentos usados pelo ex-assessor parlamentar e amigo da família Bolsonaro. Ele, em entrevista ao SBT, sem maiores questionamentos ou cobrança de detalhes, argumentou ter ganhado dinheiro com a compra e venda de carros.

“Estamos checando por todas as frentes”, revelou fonte do órgão ao Blog ao ser questionada sobre possível pedido de informação em torno dos carros que a família do oficial reformado já teve.

Sem noção do que o MPRJ já sabe, o melhor para a defesa de todos, inclusive do próprio senador eleito que oficialmente não estava na lista de suspeitos, foi silenciar e esperar que os promotores mostrem suas cartas.

Não à toa que o filho mais velho do capitão-presidente, Jair Bolsonaro, condicionou seu depoimento ao acesso prévio à investigação que está sendo realizada. Quer saber o que existe para acertar o que irá dizer. Não tivesse dúvidas do que falar, já teria comparecido para depor. O que não fez na data inicialmente indicada.

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