Marcelo Auler: por um troféu, Bolsonaro e Moro copiaram Garotinho e Josias Quintal

Jornalista Marcelo Auler reforça que, "em busca de um trunfo político a ser usado como troféu, o capitão-presidente da República, Jair Bolsonaro, e seus ministros, entre os quais Sérgio Moro, da Justiça, não titubearam: despacharam uma aeronave da PF para Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, na expectativa de trazerem o italiano Cesare Battisti para o Brasil"; "A aeronave voltou com a mesma tripulação com que saiu do Brasil. Ou seja, sem o troféu desejado"

Marcelo Auler: por um troféu, Bolsonaro e Moro copiaram Garotinho e Josias Quintal
Marcelo Auler: por um troféu, Bolsonaro e Moro copiaram Garotinho e Josias Quintal

Por Marcelo Auler, do Jornalista pela Democracia em seu blog - Em busca de um trunfo político a ser usado como troféu, o capitão-presidente da República, Jair Bolsonaro, e seus ministros, entre os quais Sérgio Moro, da Justiça, não titubearam: despacharam na manhã de domingo uma aeronave da Polícia Federal para Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia (1,6 mil quilômetros de Brasília, em linha reta), na expectativa de trazerem o italiano Cesare Battisti para o Brasil. A aeronave voltou com a mesma tripulação com que saiu do Brasil. Ou seja, sem o troféu desejado.

Talvez eles nem saibam, mas copiaram, 17 anos depois, a atitude infantil e precipitada do ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, e do seu então secretário de Segurança Pública, Josias Quintal. Ocorreu também em um domingo, 22 de abril de 2001, dia seguinte ao anúncio, pelo então presidente da Colômbia, Andrés Pastrana, da prisão do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar.

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Na ânsia de apresentar o então mais procurado criminoso do país como trunfo político, Garotinho determinou a ida de seu secretário de segurança – devidamente acompanhado de equipes de jornalistas – em um voo fretado que saiu do Rio de Janeiro na madrugada do domingo. Foi uma decisão dele e do seu então secretário que, dois dias depois, retornou no avião da Líder Táxi Aéreo com os mesmos passageiros com que levantou voo. O máximo que conseguiu foi uma conversa de 15 minutos com o traficante.

A busca inútil de um troféu repetiu-se na manha do domingo (13/01). O envio da aeronave foi decidido em uma reunião de emergência, no final da manhã, no Palácio Alvorada. Dela participaram o presidente da República, seu ministro da Justiça, ao qual o Departamento de Polícia Federal (DPF) está subordinado, o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, e o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. Queriam trazer Battisti para depois embarcá-lo em um voo para Roma, na Itália.

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“O Brasil ofereceu facilitar o embarque pelo território nacional e devido à urgência foi encaminhada uma aeronave da Polícia Federal brasileira à Bolívia. No entanto, optou-se pelo envio direto do prisioneiro à Itália”, afirmaram Moro e Araújo em nota conjunta divulgada no final da tarde de domingo.

Leia a íntegra no Blog do Marcelo Auler

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