Militares rejeitam plano de 'ajuda humanitária' à Venezuela

Mais uma explosiva contradição entre os militares e o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, acaba de vir à tona, desta vez em torno da nevrálgica questão da relação do Brasil com a crise na Venezuela; nesta terça-feira (5), o chanceler assumiu em nome do governo brasileiro, durante conversações com o conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, John Bolton, o compromisso de participar com o governo Trump da chamada "ajuda humanitária" à Venezuela, mas os militares brasileiros reagiram mal, temendo o risco de um confronto

Militares rejeitam plano de 'ajuda humanitária' à Venezuela
Militares rejeitam plano de 'ajuda humanitária' à Venezuela

247 - Mais uma explosiva contradição entre os militares e o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, acaba de vir à tona, desta vez em torno da nevrálgica questão da relação do Brasil com a crise na Venezuela. Nesta terça-feira (5), o chanceler assumiu em nome do governo brasileiro, durante conversações com o conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, John Bolton, o compromisso de participar com o governo Trump da chamada "ajuda humanitária" à Venezuela. Os militares brasileiros reagiram mal.

A promessa de Araújo é uma escalada da participação brasileira na ofensiva golpista e intervencionista do governo Trump contra a Venezuela, que pode acender as chamas da guerra na América Latina, com envolvimento direto do Brasil. O oferecimento da "ajuda humanitária" é uma estratégia para abrir um corredor de passagem na Venezuela, por onde poderiam penetrar tropas estadunidenses, grupos mercenários e armas.

No encontro com Araújo, Bolton afirmou: "Acabei de me encontrar com o ministro de Relações Exteriores do Brasil na Casa Branca. Discutimos o apoio mútuo ao presidente interino da Venezuela Guaidó, incluindo a logística para fornecer assistência humanitária ao povo venezuelano". Bolton é o mesmo assessor de Trump para quem o presidente Jair Bolsonaro bateu continência.

Nota publicada nesta quarta-feira (6) no jornal "O Estado de S.Paulo", informa que a ideia do chanceler Ernesto Araújo de enviar "ajuda humanitária" à Venezuela encontra resistência nas Forças Armadas. "Para os militares, qualquer tipo de missão brasileira, mesmo com nobres pretextos, estará sob risco no país vizinho, em ebulição social e política", destaca a Coluna do Estadão.

E arremata: "Aos diplomatas ideológicos do Itamaraty, representantes do núcleo militar do governo avisaram que, além do alto grau de dificuldade logística da ação, qualquer incidente grave envolvendo um brasileiro em solo venezuelano abrirá um caminho sem volta na relação entre os dois países".

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