‘O bandido mor deste Estado, que é o irmão do governador’

A PF encontrou uma gravação ambiental no celular da enfermeira e delatora Jennifer Nayiara Ferreira Roufino em que revela um empresário da área de saúde do Amazonas detalhando fraudes em contratos; o arquivo é mais uma prova do suposto desvio de R$ 100 milhões investigado pela Operação Maus Caminhos, que levou à prisão o ex-governador do Amazonas José Melo (PROS); para defender os desvios, o empresário citou o irmão de Melo, Evandro Melo, como 'bandido mor desse Estado'

Governador do Amazonas, José Melo (Foto: Herick Pereira/Secom-AM)
Governador do Amazonas, José Melo (Foto: Herick Pereira/Secom-AM) (Foto: Leonardo Lucena)

247 - A Polícia Federal encontrou uma gravação ambiental no celular da enfermeira e delatora Jennifer Nayiara Ferreira Roufino em que revela um empresário da área de saúde do Amazonas detalhando fraudes em contratos. O arquivo é mais uma prova do suposto desvio de R$ 100 milhões investigado pela Operação Maus Caminhos, que levou à prisão o ex-governador do Amazonas José Melo (PROS) em dezembro. Cassado por compra de votos nas eleições de 2014, ele teria recebido propina de R$ 20 milhões, de acordo com a PF. O áudio foi divulgado no blog do Fausto Macedo.

Para defender os desvios, o empresário citou o irmão de Melo, Evandro Melo, como ‘bandido mor desse Estado’.  “E ninguém aqui tá tipo assim com aquela consciência, o que eu costumo dizer lá do do Evandro, que é bandido mor aqui desse Estado, que é o irmão do Governador, que é o Secretário de Administração, que ele sim, o cara tá com um… Um… Um inquérito todo de homicídio nas costas dele formação de quadrilha, de ter mandado matar o cara que atirou as motos no irmão dele, o processo é criminal tem prova disso o executor tá preso, os dois, os dois executores estão presos, já falou que foi o cara o comandante da polícia que está afastado que mandou, entendeu? E você vai falar com o cara ele não tá nem ai… Ele não perde tempo se reunindo, tipo assim seis horas da tarde ele tá na casa dele todos os dias”, relata.

Mouhamad menciona fraudes na execução de contratos em nome de um tal ‘custo político’.

“Dentro da realidade do Estado o nosso tá menor, então… E outra coisa, e vai ficar menor ainda. Vai ficar menor ainda por que? Porque eu não me… Eu estou notificando agora no fim de junho a esterilização, a empresa de esterilização, do qual eles vão ter 30 dias pra sair do contrato, que é quando tá ficando as nossas bases prontas lá, vai entrar a Salvare pra fazer o serviço de esterilização. Porra mais um pra Salvare?! Só que a Salvare vai perder coisa agora também, eu vou diminuir a medicação da Salvare, eu vou diminuir tudo, só que o que acontece? Eu preciso, eu preciso de conversar de uma maneira clara com todo mundo, como eu falei, dá pra trabalhar 100% correto? Dá! Só que quando a gente trabalha 100% correto a mesma notificação que eu to mandando hoje pra esterilização vão mandar pra mim dizendo que tão tirando um contrato, que pra eu trabalhar 100% correto doutor eu não vou poder dar CUSTO POLÍTICO pra ninguém”, afirmou.

O empresário continuou com suas justificativas para repasses a políticos. “É um custo “X’ que se gasta, daquilo eu tenho que tirar “Y “ que é o que eu tenho que passar pra eles. Então se eu for passar agora pra ir pro lado da, do, do, do 100% honesto, entendeu?! Bora cotar em contra… E cotar pelo menor preço, a sobra vem em milhões, o que vai acontecer? Vão tirar a gente po…”

O advogado José Carlos Cavalcanti Júnior, que representa Melo e a família dele, disse que “sobre esse fato ainda não vou emitir manifestação.”

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