“O Exército não é preparado para lidar com o crime urbano”, diz analista

Ao comentar a intervenção federal no Rio, o sociólogo e coordenador do Núcleo de Estudos da Violência (NEV) da USP, Sérgio Adorno afirma que "o Exército é preparado para guerra, que envolve estratégias próprias, manobras no campo de batalha, avaliações de risco, movimentação de tropas. Já o outro lado dessa guerra, que vai ser objeto da intervenção, não funciona nessa mesma lógica", disse ele à Carta Capital; "A medida anuncia o agravamento da lógica dessa guerra pré-existente"

Ao comentar a intervenção federal no Rio, o sociólogo e coordenador do Núcleo de Estudos da Violência (NEV) da USP, Sérgio Adorno afirma que "o Exército é preparado para guerra, que envolve estratégias próprias, manobras no campo de batalha, avaliações de risco, movimentação de tropas. Já o outro lado dessa guerra, que vai ser objeto da intervenção, não funciona nessa mesma lógica", disse ele à Carta Capital; "A medida anuncia o agravamento da lógica dessa guerra pré-existente"
Ao comentar a intervenção federal no Rio, o sociólogo e coordenador do Núcleo de Estudos da Violência (NEV) da USP, Sérgio Adorno afirma que "o Exército é preparado para guerra, que envolve estratégias próprias, manobras no campo de batalha, avaliações de risco, movimentação de tropas. Já o outro lado dessa guerra, que vai ser objeto da intervenção, não funciona nessa mesma lógica", disse ele à Carta Capital; "A medida anuncia o agravamento da lógica dessa guerra pré-existente" (Foto: Leonardo Lucena)

247 - Sociólogo e coordenador do Núcleo de Estudos da Violência (NEV) da Universidade de São Paulo, Sérgio Adorno avalia que falta preparo das Forças Armadas para enfrentar o crime urbano. "O Exército é preparado para guerra, que envolve estratégias próprias, manobras no campo de batalha, avaliações de risco, movimentação de tropas. Já o outro lado dessa guerra, que vai ser objeto da intervenção, não funciona nessa mesma lógica", disse ele durante entrevista à Carta Capital.

"A intervenção federal foi uma medida precipitada, sobretudo a maneira como ela foi anunciada. O presidente falou em guerra contra o crime, mas sabemos que essa guerra já existe há muito tempo: a polícia mata, e os criminosos respondem matando mais policiais. A medida anuncia o agravamento da lógica dessa guerra pré-existente. Não se está tentando fornecer uma alternativa que rompa com o ciclo vicioso da polícia tentando conter a violência por meio da própria violência", afirma. 

De acordo com o analista, "em boa medida, o governo do Rio de Janeiro é responsável pelo que está ocorrendo porque manteve essa situação dentro do ingovernável. O governo do estado do Rio, eleito pelos cidadãos, está abrindo mão das suas tarefas de governabilidade".

Soluções

O estudioso afirma que "existem outras respostas para o crime organizado, e outros países estão provando delas. Grande parte dessa guerra gira em torno do controle e monopólio de drogas, que é o comercio ilegal das drogas. Não apenas, mas em boa medida. O que vemos é que a relação em torno do consumo dos entorpecentes do ponto de vista criminal e penal tem de ser revista".

"Se, em primeiro momento, flexibilizamos a penalidade e descriminalizamos as drogas leves, como a maconha, evitamos o encarceramento em massa, o que terá um impacto na economia do tráfico, e a desaceleração da violência em torno dela como consequência. Em Portugal, se está adotando medidas assim, outros países também, e todos eles estão conseguindo resultados satisfatórios. Já alguns países asiáticos, como é o caso da Indonésia, onde as penas são duríssimas, o trafico não reduziu e o encarceramento aumentou".

Leia a íntegra da entrevista

 

 

 

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