“Os militares hoje são os inimigos da nação”, diz Gilberto Bercovici

O professor da USP argumentou que, dada a necessidade de existência das Forças Armadas, elas têm o dever de trabalhar para o país. No entanto, Bercovici demonstra que esta lógica não se aplica ao Brasil, onde, segundo a “doutrina do inimigo interno”, a própria população é o objeto de batalha. Assista

(Foto: Marcos Santos/USP | ABr)
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247 - Em entrevista à TV 247, Gilberto Bercovici, professor de Direito Econômico e Economia Política da Universidade de São Paulo (USP), argumentou que as Forças Armadas brasileiras não possuem um projeto sólido de defesa da nação e que, por isso, têm na própria população brasileira seu principal objeto de batalha.

Segundo ele, as Forças Armadas são necessárias, mas somente quando reestruturadas profundamente: “Um país precisa de Forças Armadas para, em tese, sua defesa. O problema do Brasil é que nossas Forças Armadas não têm um inimigo externo, mas sim um inimigo interno. A doutrina delas é de perseguir a população, elas acham que o povo é o inimigo. Isso vem desde a história dos capitães do mato, na época da colônia, quando o Exército era empregado pelo Império para correr atrás dos escravos que fugiam das fazendas. Isso continua com a doutrina do inimigo interno. O Brasil precisa reestruturar suas Forças Armadas profundamente, e isso não foi feito a partir de 1985. Esse é o problema”, explicou o professor.

Ele ainda notou que, na realidade, as Forças Armadas nunca pararam de trabalhar a serviço de impérios, nacionais ou estrangeiros: “Sempre trabalharam. Em 1964 se alinharam a uma potência estrangeira. Eles dizem que defendem a nação, mas na realidade são os inimigos da nação”, acrescentou. 

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