Ou Ernesto Araújo abandona o negacionismo ou cai, aposta o cientista Carlos Nobre

Cientista brasileiro acaba de ganhar o prêmio “Science Diplomacy” - “Diplomacia em Prol da Ciência”. Para ele, o chanceler brasileiro, com seu negacionismo em relação às mudanças climáticas, “se encontra numa sinuca de bico em função da troca de presidente nos EUA”, isolando cada vez mais o Brasil

Carlos Nobre e Ernesto Araújo
Carlos Nobre e Ernesto Araújo (Foto: IEA USP | ABr)
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Por Paulo Henrique Arantes, para o 247 - Ou Ernesto Araújo muda o rumo de suas falas negacionistas das mudanças climáticas, ou cai. A aposta é de Carlos Nobre, cientista brasileiro que acaba de ganhar o prêmio “Science Diplomacy”, que não se deve traduzir simplesmente como “Diplomacia Científica”, como a mídia fez, mas algo como “Diplomacia em Prol da Ciência”. Nobre é o primeiro brasileiro a receber a condecoração da Associação Americana para o Avanço da Ciência.

Carlos Nobre tem um vasto trabalho no campo da biociência. Membro das Academias de Ciências do Brasil e dos Estados Unidos, foi diretor da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). É referência internacional quando o assunto é a Amazônia.

“Na questão das mudanças climáticas, o chanceler Araújo é negacionista e se encontra numa sinuca de bico em função da troca de presidente nos Estados Unidos, que agora têm um presidente pró-ciência e com um plano ambicioso de combater as mudanças climáticas. Historicamente, o Brasil sempre se alinhou aos Estados Unidos em política externa. Se ele (Araújo) não mudar, vai cair”, raciocina Nobre.

Apesar de o presidente Jair Bolsonaro negar que pretenda demitir Ernesto Araújo, na prática quem hoje opera as relações internacionais em nome do governo é o almirante Flávio Rocha, assessor do presidente, como já foi amplamente noticiado.

Em conversa com o Brasil 247, Carlos Nobre salienta que “o Brasil já se tornou um pária internacional sobre mudanças climáticas, proteção da Amazônia e combate à pandemia. Manter-se em posição isolada anticiência e antimeio-ambiente nos isola ainda mais da tendência global de buscar soluções de sustentabilidade”.

Em dezembro de 2018, logo que Bolsonaro se elegeu, Nobre lembrou a este repórter que as metas do Acordo de Paris são voluntárias, mas deixar de tratá-las como prioridade, abandonando as políticas de controle de desmatamento, por exemplo, acarretaria um desprestígio ímpar ao país.

“O mundo olha com olhos muito especiais para o Brasil no que diz respeito aos temas ambientais. A população brasileira ainda não se deu conta do prestígio que o Brasil adquiriu internacionalmente pela redução dos índices de desmatamento da Amazônia e por políticas de proteção dos seus ecossistemas. E principalmente por ter assumido o mais ambicioso compromisso no âmbito do Acordo de Paris dentre todos os países em desenvolvimento. China e Índia, por exemplo, não se comprometeram a reduzir emissões antes de 2030, e sim de reduzir o ritmo de aumento das emissões”, relatou Nobre àquela época. De lá para cá, regredimos enormemente.

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