Plano de recuperação judicial da Oi é aprovado, mas trabalhadores prosseguem sem definição

A telefônica Oi vai sendo fatiada com plano de recuperaçao judicial, mas até agora não há sinalização de que os empresários estejam preocupados com os cerca de 60 mil trabalhadores que seguem em indefinição

(Foto: Vera Magalhães e Lilia Schwarcz)
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Brasil de Fato, por Francisco Izidoro - Em tempos de home office em larga escala, imposto pela pandemia, não é preciso pensar muito para entender o quanto esses trabalhadores são essenciais - Divulgação

Nas grandes negociações empresariais, há uma regra: trabalhadores parecem invisíveis ou descartáveis. É isso que está acontecendo no processo de venda da Oi. A empresa está sendo fatiada e as demais operadoras já apresentaram propostas para a compra da parte móvel, a telefonia celular.

O plano de recuperação judicial foi apreciado em assembleia de credores na última terça-feira (8). Tudo corre bem para quem vai lucrar com a negociação. Mas não há resposta para uma pergunta crucial: e os trabalhadores?

Até agora não há sinalização de que os envolvidos estejam preocupados com a vida de cerca de 60 mil trabalhadores do Grupo Oi. Além da operadora - a maior de telefonia fixa do país e a terceira maior empresa de telecomunicações da América do Sul - o grupo conta com outras empresas, entre elas a Serede, responsável pela manutenção da rede de infraestrutura.

A Serede já demitiu mais de quatro mil trabalhadores desde o ano passado, como parte do desmonte ordenado pela Oi. Os 6.500 que ficaram temem pelo futuro da empresa e dos postos de trabalho. 

 A manutenção de redes é a alma das telecomunicações. 

Em tempos de home office em larga escala, imposto pela pandemia, em que as relações de trabalho, de amizade e familiares passam pelas conexões virtuais, não é preciso pensar muito para entender o quanto esses trabalhadores são essenciais. Se muitas empresas viram seus clientes desaparecerem com o isolamento social, nas telecomunicações o efeito foi inverso. 

Desempenho invejável à custa de trabalhadores que vivem rotina de sobrecarga, acúmulo de função e assédio moral. Assim, são obrigados a manter a produtividade, mesmo diante da redução drástica de pessoal. 

São trabalhadores úteis, necessários, essenciais. Mas ao que parece pelo descaso atual, são também considerados descartáveis, tanto que nem são pauta para as empresas diante de negociações que vão afetar tantas vidas. Nós temos cobrado incessantemente a resposta a perguntas diretas e importantíssimas que repetimos aqui: qual o futuro dos trabalhadores da Oi e da Serede? Qual o plano para preservar esses empregos? 

*Francisco Izidoro é diretor Sindicato dos Trabalhadores de Telecomunicações (Sinttel-Rio).

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