População não foi às ruas porque faltou convocação, diz pesquisador

Por que os Brasileiros não foram às ruas contra Michel Temer, ocupante da Presidência mais impopular da história do Brasil? Para o filósofo e pesquisador Pablo Ortellado, coordenador do monitor que pesquisa mobilizações populares desde 2013, não há evidências de que a apatia em relação a Temer tenha relação com o que alguns analistas chamam de "cansaço da população"; a razão, segundo ele, é anterior: "Desta vez simplesmente não houve convocação", diz

Fora Temer
Fora Temer (Foto: Giuliana Miranda)
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247 - Embora bata recordes de impopularidade, o Michel Temer chegou ao dia da votação decisiva na Câmara e assistiu à maioria dos deputados votarem a seu favor sem ter sido alvo de grandes manifestações de rua, bateção de panela, buzinaços ou campanhas massivas na internet. Algo muito diferente do que ocorreu com a ex-presidente Dilma Rousseff nos últimos dias antes das votações do impeachment no Congresso, em 2016.

Um levantamento realizado pelo Monitor do Debate Político no Meio Digital, grupo da USP que faz acompanhamento sistemático de assuntos políticos nas redes sociais, dá uma dimensão da apatia em relação a Temer. Conforme o estudo, nenhum texto sobre o tema apareceu entre os cem mais compartilhados no Facebook nos últimos cinco dias antes da votação. No mesmo período, apenas cinco textos sobre as mobilizações tiveram mais de 2 mil compartilhamentos. E só um teve mais de 10 mil. Para uma matéria "se destacar" no Facebook, conforme os critérios do monitor, são necessários pelo menos 20 mil compartilhamentos.

Por que a possibilidade concreta de derrubar Temer não mobilizou a população?

Para o filósofo e pesquisador Pablo Ortellado, coordenador do monitor que pesquisa mobilizações populares desde 2013, não há evidências de que a apatia em relação a Temer tenha relação com o que alguns analistas chamam de "cansaço da população". A razão, segundo ele, é anterior: "Desta vez simplesmente não houve convocação", diz. "Nem pelos grupos de direita, que lideraram os atos contra Dilma, nem pelos de esquerda. Só seria possível concluir que é cansaço se a convocação tivesse sido feita e ninguém aparecesse"

Segundo ele, os grupos de direita que convocavam e orientavam os protestos pelo impeachment de Dilma, em especial o Movimento Brasil Livre (MBL) e Vem Pra Rua, são defensores da agenda de reformas de Temer e colocaram isso como elemento mais importante que o afastamento de Temer suspeito de corrupção.

As informações são de reportagem de Ricardo Mendonça no Valor.

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