Propina de Temer na quebra do monopólio do gás seria de R$ 480 milhões

JBS reclamou com Temer da exclusividade da Petrobrás na regulação no preço do gás natural e pediu que o presidente interferisse nas negociações. Temer pediu propina equivalente a 5% do lucro que a JBS obteria nas transações. O montante chega a R$ 480 milhões em 20 anos

JBS reclamou com Temer da exclusividade da Petrobrás na regulação no preço do gás natural e pediu que o presidente interferisse nas negociações. Temer pediu propina equivalente a 5% do lucro que a JBS obteria nas transações. O montante chega a R$ 480 milhões em 20 anos
JBS reclamou com Temer da exclusividade da Petrobrás na regulação no preço do gás natural e pediu que o presidente interferisse nas negociações. Temer pediu propina equivalente a 5% do lucro que a JBS obteria nas transações. O montante chega a R$ 480 milhões em 20 anos (Foto: Charles Nisz)

Da Rede Brasil Atual - Além de ter recebido aval do presidente Michel Temer (PMDB-SP) em operação para comprar o silêncio do deputado cassado e ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o empresário Joesley Batista, dono da JBS, pediu ajuda a emissário do presidente para negociar preço do gás natural adquirido da Petrobras para fazer funcionar uma usina termelétrica pertencente ao grupo J&F, controlador da JBS. 

Segundo o jornal O Globo, Joesley se encontrou com o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) para que este, por indicação de Temer, resolvesse pendência no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que estaria para decidir disputa entre a Petrobras e o grupo sobre o preço do gás fornecido pela estatal à termelétrica. 

No conteúdo da delação, sempre segundo o jornal, o executivo da JBS reclama que a Petrobras compra o gás natural da Bolívia e revende a preços extorsivos ao grupo, que acarretaria perdas de R$ 1 milhão por dia aos negócios do grupo.

Para resolver a questão, Joesley ofereceu propina de 5% do valor que sua empresa economizaria com a transação, que seriam pagos em parcelas semanais de R$ 500 mil por período de 20 anos, totalizando R$ 480 milhões. 

Ricardo Saud, diretor da JBS, teria se encontrado com Rocha Loures, o enviado de Temer, para efetuar o pagamento da primeira parcela de R$ 500 mil, em um restaurante em São Paulo. 

De acordo com o O Globo, os envolvidos na negociação apontam que o recebedor do dinheiro seria o presidente: "Loures disse que levaria a proposta de pagamento a alguém acima dele. Saud faz duas menções ao "presidente". Pelo contexto, os dois se referem a Michel Temer."

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