Revista francesa descreve perfil de Janja, “uma primeira-dama na ofensiva”

Rosângela da Silva, a futura primeira-dama, não terá papel figurativo ao lado daquele que, aos 77 anos, permanece uma estrela da política”, escreve a revista L’Express

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(Foto: RICARDO STUCKERT)


Maria Paula Carvalho, RFI - A revista semanal francesa L’Express dedica uma reportagem sobre a mulher do presidente eleito do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva. Ela é apontada como alguém que teve um papel decisivo na vitória do petista e que deve continuar a ser ativa no novo governo.

Na equipe do presidente Lula todos compreenderam rapidamente: “Rosângela da Silva, a futura primeira-dama, não terá papel figurativo ao lado daquele que, aos 77 anos, permanece uma estrela da política”, escreve a reportagem.

Vinte e um anos mais jovem, “a socióloga apelidada de Janja é uma mulher de convicções” e ativista engajada do Partido dos Trabalhadores (PT), do qual o seu ilustre marido é o líder histórico.

A publicação destaca que não há um discurso em que Lula não declare o seu amor. “É ela que vai me dar força para enfrentar todos os obstáculos”, disse o petista na noite de sua vitória apertada contra o atual presidente, Jair Bolsonaro, no dia 30 de outubro.

Encontro num jogo de futebol

Segundo a versão oficial, “foi alguns meses após a morte de sua segunda esposa, Marisa Letícia, em fevereiro de 2017, que Lula encontrou sua paixão”. O político conheceu Janja durante uma partida de futebol organizada pelo Movimento Sem Terra. Neste dia, o ícone da esquerda brasileira jogou no time do cantor Chico Buarque.

Em abril de 2018, Lula foi preso por corrupção no processo da Operação Lava Jato. Sua detenção durou 580 dias, antes da surpreendente reviravolta no caso e o retorno do petista à liberdade. Durante esta longa travessia, Janja fez campanha por sua libertação. Mais do que isso, “ela obtém o direito de visitá-lo, lava a sua roupa suja, cozinha e escreve para ele”, cita a L’Express.

Os dois se casaram em São Paulo no dia 18 de maio de 2022, “no momento ideal”, segundo o texto, algumas semanas antes do início da campanha presidencial. O favorito da eleição já tinha um bom slogan: “combater o ódio da extrema direita com amor”, destaca a revista.

Mulheres na linha de frente

Porém, vencer Bolsonaro não seria fácil, mesmo para um dos políticos mais populares do Brasil. “Neste duelo de titãs, ambos destacaram suas esposas para mobilizar o voto feminino, a maioria do eleitorado brasileiro”, segue o texto.

Óculos e cabelo natural, Rosângela da Silva canta, dança, vira as páginas dos discursos do marido, enxuga a testa... "Eu tomei para mim esse papel de cuidar dele, de lhe preservar”, disse Janja em entrevista à TV Globo, citada na reportagem. “Durante o seu primeiro corpo a corpo na multidão, em 2 de julho, eu me coloquei na frente dele para protegê-lo", continuou. “Porque em um Brasil fraturado por quatro anos de bolsonarismo, a integridade física de Lula tornou-se um problema”, completa o texto.

"Lula deve sua vitória, acima de tudo, a sua reorientação política, que resultou na escolha de um companheiro de chapa de direita” - o vice-presidente Geraldo Alckmin - explicam Ciça Guedes e Murilo Fiuza de Melo, coautores de um livro sobre as primeiras-damas do Brasil. No entanto, Janja provou ser preciosa para a campanha.

“Com a sua popularidade, sua espontaneidade e, claro, a diferença de idade, Janja rejuvenesceu a imagem do líder septuagenário”, destaca L’Express. “Personalidade solar, ela reviveu o lado festivo das primeiras campanhas do PT”, acrescenta o texto, que também cita a fluência de Janja nas redes sociais como o trunfo que faltava à esquerda.

Foi ela quem negociou o apoio da estrela brasileira do funk Anitta para a campanha, através de um tuíte em que a cantora anunciou aos seus 17 milhões de assinantes que votaria em Lula.

“Impossível entender o Lula 2022 sem Janja”, acrescenta o analista político Thomas Traumann, citado pela L’Express. “Ela aumenta a sua conscientização sobre o racismo, o meio ambiente, os direitos das mulheres e das minorias, temas que não faziam parte do repertório da esquerda sindical”.

A futura primeira-dama tem uma opinião sobre tudo e quer lutar por suas ideias. “Uma pausa salutar no papel decorativo ao qual o Brasil havia reduzido a figura da primeira-dama”, afirma a semanal.

“Marcela, a esposa de Michel Temer, o sucessor de Dilma Rousseff, destacava-se por ser ‘bonita, reservada e do lar’", lembra o texto. “Michelle Bolsonaro se contentou em fazer figuração”, acrescenta a reportagem, enquanto Janja "assume um lado de Eva Perón".

"A luta dela pelos direitos da mulher argentina é uma inspiração”, disse aquela que faz do combate à violência doméstica uma prioridade. “Eu também fico impressionada com Michelle Obama e o papel dela na origem das políticas públicas realizadas pelo marido," acrescenta Janja.

Em quatro anos, Lula não terá mais idade para se candidatar novamente. “Janja poderia sucedê-lo?”, pergunta, por fim, a l’Express.

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